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Lembra da Karol Conká, a mulher mais ‘cancelada’ do Brasil? Veja como ela está atualmente

Em fevereiro de 2021, o Brasil parou para assistir a um evento que nunca havia acontecido na televisão: uma participante do Big Brother Brasil foi eliminada com 99,17% dos votos, o maior índice de rejeição já registrado em qualquer reality show no mundo. Karol Conká, rapper curitibana que entrou no BBB 21 como símbolo de empoderamento negro e feminino, saiu de lá como a pessoa mais odiada do país em tempo real. Em poucas semanas, ela se tornou a mulher mais cancelada da história recente do Brasil, superando até casos políticos e crimes graves em volume de ódio nas redes.

O estopim foi o tratamento que ela dispensou ao ator Lucas Penteado dentro do confinamento. Agressões verbais ao vivo, deboche constante, isolamento do grupo e frases como “você não é homem” e “você é fraco” chocaram o público que acompanhava 24 horas por dia pelo pay-per-view. O quebrou recordes de audiência. A internet transformou Karol em vilã absoluta: memes, páginas de ódio com centenas de milhares de seguidores, ameaças de morte ao filho dela (que na época tinha 10 anos) e boicotes imediatos a marcas. Em uma única noite, ela perdeu mais de 600 mil seguidores no Instagram e viu contratos milionários serem rompidos da noite para o dia.

O cancelamento foi tão intenso que extrapolou as redes sociais e virou caso de polícia, estudos acadêmicos e até tema de documentário. Empresas como Amazon Music, Skol Beats e Netflix suspenderam campanhas. O programa que ela apresentava no GNT, “Prazer, Karol Conká”, foi tirado do ar em menos de 24 horas. Festivais como Rec-Beat e Lollapalooza Brasil a retiraram da programação. A Folha de S.Paulo publicou matéria com o título direto: “Karol Conká é a mulher mais cancelada do Brasil”. Nenhum outro caso feminino — nem affair real, nem escândalo sexual, nem crime — chegou perto do volume e da velocidade daquele linchamento digital.

Mas o que torna a história de Karol única não é só o tombo: é a volta por cima. Em abril de 2021, apenas dois meses após a eliminação, a Globoplay lançou o documentário “A Vida Depois do Tombo”. A série mostrou uma Karol fragilizada, em terapia, chorando ao descobrir a dimensão do ódio, lidando com depressão severa e pensamentos suicidas. Pela primeira vez, o público viu o outro lado: uma mulher negra que carregava traumas, pressão de ser “exemplo” e que errou feio sob os holofotes 24/7. O documentário foi o conteúdo mais assistido da plataforma naquele ano e mudou a narrativa.

De 2022 para cá, Karol Conká reconstruiu a carreira com uma estratégia clara: autenticidade sem pedir perdão eterno. Lançou o álbum “Urucum” (2022), considerado por críticos um de seus melhores trabalhos, com feats de Linn da Quebrada e Gloria Groove. Voltou aos palcos em 2023 com show lotado no festival The Town (40 mil pessoas cantando junto) e foi aplaudida de pé no Rock in Rio Lisboa 2024. Fez publicidade para o próprio BBB 25 em 2025, num comercial em que brinca com o meme “99,17% — prova de que aprendeu a rir de si mesma.

Hoje, em novembro de 2025, Karol Conká está em um dos melhores momentos da carreira. Seu Instagram voltou a crescer (quase 2,5 milhões de seguidores), ela apresenta o podcast “PodConká” (um dos mais ouvidos do Brasil, tem linha de maquiagem com a Tracta e agenda de shows cheia até 2026. Virou referência quando o assunto é resiliência: em entrevistas recentes, diz que o cancelamento “foi a pior e a melhor coisa que aconteceu na minha vida”, porque a obrigou a se conhecer de verdade.

Karol Conká segue sendo, até hoje, a mulher mais cancelada da história do Brasil. Só que agora carrega outro título que ninguém esperava em 2021: um dos maiores exemplos de superação que a internet brasileira já viu. Prova de que, às vezes, o tombo mais feio pode ser o empurrão para o voo mais alto.

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