Famosos

César Tralli interrompe a programação da Globo e anuncia a morte de ícone da música

O Brasil perdeu, nesta terça-feira (11), um de seus grandes representantes da música regional. O jornalista César Tralli interrompeu a programação da Globo com um plantão especial durante o Jornal Nacional para comunicar a morte de João Chagas Leite, um dos nomes mais respeitados da música nativista do Rio Grande do Sul. O anúncio, feito com emoção e respeito, pegou muitos de surpresa e gerou grande comoção nas redes sociais.

“Morreu no Rio Grande do Sul o cantor João Chagas Leite, aos 80 anos”, informou Tralli, com voz embargada, durante o telejornal. O artista estava internado no Hospital da Caridade de Erechim, no norte do estado, lutando contra um câncer, mas infelizmente não resistiu às complicações da doença.

Uma trajetória marcada pelo amor à tradição

Natural de São Luiz Gonzaga, João Chagas Leite construiu uma carreira sólida e respeitada ao longo de mais de cinco décadas dedicadas à música e à cultura gaúcha. Dono de uma voz firme e inconfundível, ele ajudou a eternizar o estilo nativista e o som das guitarras crioulas, sempre exaltando o campo, o mate, o cavalo e o orgulho de ser gaúcho.

Com mais de 300 composições registradas, Chagas Leite se tornou referência para gerações de artistas e foi presença constante em festivais tradicionalistas como a Califórnia da Canção Nativa, um dos mais importantes do gênero. Entre suas obras mais conhecidas estão canções que retratam com poesia a vida simples do interior, a saudade e o amor pela terra.

“Ele não fazia música só para tocar — fazia para emocionar”, disse um amigo próximo do cantor, em entrevista à rádio local de Erechim. “João era um contador de histórias, um homem de alma generosa e coração do tamanho do pampa.”

Comoção e despedida

O velório de João Chagas Leite ocorreu na Funerária Passuello, em Erechim, ainda na tarde da terça-feira. Centenas de pessoas passaram pelo local, entre familiares, amigos, fãs e admiradores. Já o sepultamento aconteceu na manhã desta quarta (12), no Cemitério Pio XII, também na cidade, em um clima de profunda emoção.

Muitos fãs levaram flores, lenços gaúchos e bandeiras do Rio Grande do Sul, símbolos da identidade cultural que o artista tanto defendeu. Nas redes sociais, colegas da música, jornalistas e políticos prestaram homenagens. O governador Eduardo Leite lamentou a perda e afirmou que o estado “perde um guardião das nossas tradições e um exemplo de amor pela cultura gaúcha”.

O legado que fica

Mesmo longe dos holofotes nos últimos anos, João Chagas Leite seguiu ativo, gravando discos, participando de programas regionais e incentivando jovens músicos a manter viva a chama da tradição. Seu último trabalho de estúdio, lançado em 2021, misturava composições inéditas com releituras de clássicos que marcaram sua trajetória.

A morte de João Chagas Leite representa não apenas a perda de um artista talentoso, mas de um símbolo da cultura sulista. Sua música, simples e profunda, atravessou fronteiras e se tornou parte da memória afetiva de quem cresceu ouvindo o som do violão, do acordeom e da voz carregada de sentimento.

O pampa está em luto. Mas, nas rodas de chimarrão e nos palcos do interior gaúcho, a voz de João Chagas Leite continuará ecoando — firme, serena e eterna, como o vento que sopra pelos campos do Rio Grande.

CONTINUAR LENDO →
Mostrar mais

LEIA TAMBÉM: