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A um ano da eleição, Lula surpreende a todos e adota novo discurso

Faltando um ano para as eleições de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou a agenda pelo país e adotou um tom cada vez mais eleitoral em seus discursos e aparições públicas. Em 2025, o petista já visitou 65 cidades de 19 estados, superando o número de viagens realizadas em todo o ano de 2024 (60) e em 2023 (36). A movimentação reforça o esforço do governo em consolidar bases regionais e retomar bandeiras históricas do Partido dos Trabalhadores (PT), como soberania nacional, combate à desigualdade e valorização das políticas sociais.

As viagens têm se concentrado em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, que juntos reúnem cerca de 40% do eleitorado brasileiro. Em agosto, Lula esteve em Belo Horizonte, onde lançou o programa Gás do Povo, uma reformulação do antigo vale-gás. No mesmo mês, participou no Rio de Janeiro do anúncio de R$ 33 bilhões em investimentos da Petrobras, reforçando o discurso de fortalecimento das estatais. Já em São Paulo, o presidente apresentou um pacote de R$ 4 bilhões para urbanização de favelas, aproveitando a ocasião para provocar adversários políticos: “Três mandatos incomodaram muito. Imagina se tiver o quarto”, ironizou.

Além do Sudeste, o Nordeste segue sendo prioridade. A região, onde Lula mantém seus índices mais altos de aprovação, foi palco de discursos inflamados contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) — ambos cotados para disputar o Planalto. Durante um evento no Ceará, em junho, Lula declarou: “Não vou entregar este país de volta para aquele bando de malucos”.

O presidente do PT, Edinho Silva, resume a estratégia: “Ele é candidato à reeleição. As viagens fazem parte do estilo Lula de governar, próximo do povo e das bases”. Já o ministro da Previdência, Wolney Queiroz, argumenta que a agenda reflete o momento de “entregas concretas” do governo.

O aumento das viagens coincide com uma melhora na popularidade de Lula, que havia atingido o pior índice do mandato em fevereiro. Após uma ofensiva digital centrada no mote “ricos versus pobres”, o petista conseguiu recuperar terreno. A estratégia passou a destacar pautas como justiça tributária, em contraste com o Congresso e o Centrão, acusados de defender “privilégios”.

A disputa sobre o IOF, em julho, exemplificou essa narrativa. A Câmara derrubou o decreto do governo que elevava o imposto sobre operações de crédito, mas o ministro Alexandre de Moraes, do STF, reverteu parte da decisão. O Planalto usou o episódio para reforçar a imagem de Lula como defensor dos mais pobres e dos interesses nacionais.

Pesquisas recentes indicam que a aprovação do presidente subiu de 43% para 46% entre julho e agosto, mantendo-se estável desde então. O cientista político Antonio Lavareda aponta que o chamado “tarifaço de Donald Trump”, apoiado por Eduardo Bolsonaro, também ajudou Lula a reposicionar o discurso de soberania nacional. Em eventos como o de Juazeiro (BA), o presidente acusou os Bolsonaro de “traição à pátria”, reforçando o tom nacionalista.

Nos bastidores, a equipe de comunicação, liderada por Sidônio Palmeira, é apontada como responsável por essa guinada estratégica. O governo agora aposta em um discurso coeso, aliado a uma exposição intensa nas redes e em viagens.

A oposição, porém, vê outro cenário. O líder do PL na Câmara, deputado Zucco (RS), acusa Lula de transformar a Presidência “em um palco eleitoral permanente” e de usar recursos públicos para fins políticos. “O governo dá com uma mão e tira com duas”, critica.

Apesar das críticas, no Planalto, a ordem é clara: seguir viajando, entregando obras e ocupando espaço. A meta é chegar a 2026 com o discurso pronto — e o país novamente dividido entre o Lula de governante e o Lula candidato.

 

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