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Esse foi o motivo que levou o Athletico a processar o Internacional

O Athletico recorreu à Justiça para cobrar do Internacional uma quantia relacionada à negociação do zagueiro Kaique Rocha com o Casa Pia, de Portugal. A ação foi apresentada na semana passada e envolve valores que, segundo o clube paranaense, não teriam sido repassados integralmente pelo Colorado. A cobrança está relacionada ao percentual dos direitos econômicos do defensor que permanecia vinculado ao Furacão no momento da transferência para o futebol português. O caso coloca novamente os dois clubes brasileiros diante de uma questão financeira envolvendo uma negociação realizada após a passagem do jogador por Porto Alegre. De acordo com as informações apresentadas pelo Athletico, o Internacional negociou Kaique Rocha com o Casa Pia em julho de 2025 por 220 mil euros, valor que correspondia, na época, a aproximadamente R$ 1,37 milhão. Como o clube paranaense mantinha 40% dos direitos econômicos do atleta, teria direito a 88 mil euros, quantia equivalente a cerca de R$ 522 mil. No entanto, o Furacão afirma que recebeu apenas uma parte desse montante ao longo dos meses seguintes e decidiu buscar judicialmente o restante.

Segundo a cobrança apresentada pelo Athletico, o Internacional teria repassado somente R$ 125 mil referentes à negociação realizada com o clube português. O valor teria sido pago ao longo de um período de 14 meses, mas ficou uma diferença considerável em relação à quantia que o Furacão entende ter direito a receber. Diante disso, o clube paranaense ingressou com uma ação na Justiça do Paraná para cobrar aproximadamente R$ 397,8 mil do Internacional. A diferença corresponde ao valor que, segundo a versão apresentada pelo Athletico, ainda não teria sido quitado dentro do acordo relacionado à transferência do zagueiro. A situação envolve diretamente a divisão dos direitos econômicos do jogador e os compromissos financeiros assumidos a partir da venda para o Casa Pia. A cobrança acontece em um momento de dificuldades financeiras para o Internacional, que busca organizar suas pendências e evitar consequências esportivas relacionadas a débitos. Entre as preocupações dos clubes que acumulam compromissos está a possibilidade de sofrer restrições no mercado de transferências, como o chamado Transfer Ban aplicado pela Fifa.

A negociação que deu origem à cobrança ocorreu depois de Kaique Rocha deixar o Athletico e retornar ao Internacional. O zagueiro havia chegado ao clube paranaense em 2023 e ganhou espaço no elenco ao longo da passagem por Curitiba. Em 2024, o defensor chegou a assumir a condição de titular, mas acabou perdendo espaço posteriormente. O Athletico decidiu negociar o jogador com o Internacional em janeiro de 2025, em um acordo sem custos imediatos para o clube gaúcho, mas que preservava 40% dos direitos econômicos do atleta para o Furacão. Dessa maneira, mesmo após a transferência para Porto Alegre, o clube paranaense continuava com participação financeira em uma eventual venda futura do zagueiro. Foi justamente esse percentual que passou a ter importância na negociação posterior com o Casa Pia. Quando o Internacional acertou a transferência do jogador para Portugal, o Athletico passou a ter direito à sua parcela, calculada sobre o valor da venda. A diferença entre o montante previsto e o que efetivamente foi repassado é o centro da ação apresentada agora na Justiça paranaense.

Kaique Rocha teve uma passagem de dois anos pelo Athletico e acumulou 73 partidas pelo clube, além de marcar um gol. O período também ficou marcado pela participação do defensor na campanha do Campeonato Brasileiro que terminou com o rebaixamento do Furacão. Ao longo daquela temporada, o jogador perdeu espaço na equipe e acabou deixando o clube posteriormente. A saída para o Internacional ocorreu em janeiro de 2025, com a manutenção do percentual de 40% dos direitos econômicos para o Athletico. No Colorado, entretanto, a segunda passagem do zagueiro foi curta. Kaique Rocha entrou em campo apenas uma vez pelo clube gaúcho, permanecendo durante 14 minutos. Cerca de seis meses depois, o Internacional acertou sua transferência para o Casa Pia, dando início à negociação que agora está no centro da disputa financeira entre os dois clubes brasileiros. Em Portugal, o defensor disputou sete partidas na temporada passada e marcou um gol, de acordo com os dados apresentados sobre sua passagem pela equipe.

Para o Athletico, a questão principal não está relacionada ao desempenho esportivo de Kaique Rocha, mas ao cumprimento da divisão financeira estabelecida quando o jogador foi negociado pelo Internacional. O clube paranaense entende que sua participação de 40% na operação deveria resultar no recebimento de 88 mil euros, enquanto os pagamentos realizados até o momento não teriam alcançado esse montante. Por isso, o Furacão decidiu formalizar a cobrança na Justiça do Paraná e busca receber os aproximadamente R$ 397,8 mil apontados como pendentes. O caso agora deverá seguir os trâmites judiciais, enquanto o Internacional enfrenta outras questões relacionadas à organização de suas finanças. O Colorado vem tentando equacionar compromissos para evitar novas restrições e manter sua capacidade de realizar movimentações no mercado. A cobrança apresentada pelo Athletico se soma, portanto, ao cenário de atenção financeira vivido pelo clube gaúcho e coloca uma negociação envolvendo um jogador que passou rapidamente pelo elenco colorado novamente no centro das atenções.

A disputa ainda deverá ter novos capítulos conforme o processo avance na Justiça. De um lado, o Athletico busca garantir o recebimento do percentual que afirma ter direito pela venda de Kaique Rocha ao Casa Pia. Do outro, o Internacional precisará apresentar sua posição sobre os valores cobrados e os pagamentos já realizados ao clube paranaense. A negociação de 220 mil euros pelo zagueiro, realizada em julho de 2025, acabou criando uma nova pendência entre as duas equipes, justamente porque o Athletico mantinha participação nos direitos econômicos do jogador. Enquanto a situação não é solucionada, os valores continuam sendo discutidos no âmbito judicial. Para o Furacão, a prioridade é receber a quantia que considera pendente; para o Colorado, o episódio representa mais uma questão financeira a ser administrada em um período de reorganização. O caso envolvendo Kaique Rocha mostra como acordos firmados no futebol podem continuar produzindo efeitos financeiros mesmo meses depois da saída de um atleta e de sua transferência para outro clube.

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