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Bruno Guimarães revive marca que o Brasil não registrava desde Zico

A eliminação da Seleção Brasileira para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 também ficará marcada por um feito negativo que não acontecia havia quatro décadas. O pênalti desperdiçado por Bruno Guimarães durante o tempo regulamentar encerrou uma sequência histórica de cobranças convertidas pelo Brasil em Copas do Mundo e colocou o volante ao lado de um grupo restrito de jogadores que falharam em penalidades durante os 90 minutos de uma partida do torneio.

A cobrança aconteceu aos 13 minutos do primeiro tempo, quando o árbitro assinalou pênalti após revisão do lance pelo árbitro de vídeo (VAR). A análise confirmou que Matheus Cunha havia sido derrubado dentro da área pela defesa norueguesa. Com a oportunidade de abrir o placar, Bruno Guimarães assumiu a responsabilidade da cobrança, mas parou na defesa do goleiro adversário, desperdiçando uma chance importante para a equipe comandada por Carlo Ancelotti.

O erro interrompeu uma marca que permanecia intacta desde a Copa do Mundo de 1986, disputada no México. Naquela edição, o último brasileiro a desperdiçar um pênalti durante o tempo normal havia sido Zico, nas quartas de final contra a França. Na ocasião, o camisa 10 entrou no decorrer da partida e teve a oportunidade de colocar o Brasil em vantagem, mas viu o goleiro francês defender sua cobrança. O confronto terminou empatado em 1 a 1 e acabou decidido nas penalidades máximas, quando a seleção brasileira foi eliminada.

Desde aquele episódio envolvendo Zico, o Brasil havia mantido um aproveitamento perfeito nas cobranças de pênalti durante o tempo regulamentar das partidas em Copas do Mundo. Ao longo das últimas décadas, jogadores como Raí, Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e Neymar converteram todas as penalidades marcadas a favor da Seleção. A sequência começou em 1994, com Raí marcando diante da Rússia, passou por Ronaldo na Copa de 1998 contra o Chile, Rivaldo diante da Turquia e Ronaldinho Gaúcho contra a China em 2002, além de Neymar, que converteu cobranças nas Copas de 2014, contra a Croácia, e de 2022, diante da Coreia do Sul.

Antes do pênalti desperdiçado por Zico em 1986, apenas outros dois brasileiros haviam falhado em cobranças durante o tempo normal da Copa do Mundo. Em 1934, Waldemar de Brito teve sua cobrança defendida pelo lendário goleiro espanhol Ricardo Zamora na derrota por 3 a 1 para a Espanha, resultado que eliminou o Brasil logo na primeira fase da competição. Quatro anos depois, na Copa de 1938, Patesko desperdiçou um pênalti na disputa pelo terceiro lugar diante da Suécia, chutando para fora. Apesar do erro, a Seleção venceu por 4 a 2 e conquistou a medalha de bronze.

O desperdício de Bruno Guimarães ganhou ainda mais peso pelo contexto da partida. Pouco tempo depois da cobrança perdida, a Noruega conseguiu equilibrar o confronto e acabou vencendo o Brasil por 2 a 1, garantindo classificação inédita para as quartas de final da Copa do Mundo. A eliminação brasileira provocou forte repercussão entre torcedores e especialistas, que passaram a apontar o pênalti desperdiçado como um dos momentos decisivos do confronto, embora o desempenho coletivo da equipe também tenha sido alvo de críticas.

Nas redes sociais, muitos torcedores questionaram a escolha do cobrador da penalidade. Parte das críticas se concentrou na ausência de Vinícius Júnior na cobrança, já que o atacante era considerado um dos principais nomes da Seleção Brasileira na competição. Outros lembraram que, historicamente, os pênaltis decisivos costumam ser assumidos pelos principais craques da equipe, como aconteceu em edições anteriores da Copa com jogadores como Ronaldo, Rivaldo e Neymar.

Embora o pênalti perdido tenha encerrado uma marca histórica da Seleção Brasileira, ele representa apenas um dos fatores da eliminação diante da Noruega. A equipe brasileira também enfrentou dificuldades defensivas, apresentou baixo volume ofensivo durante boa parte da partida e sofreu com a eficiência do ataque comandado por Erling Haaland. Ainda assim, o erro de Bruno Guimarães permanecerá registrado como o primeiro pênalti desperdiçado pelo Brasil durante o tempo regulamentar de uma Copa do Mundo em 40 anos, encerrando uma sequência que atravessou oito edições consecutivas do torneio.

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