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Médicos revelam o que comer língua bovina pode causar no organismo e o resultado surpreende

A língua bovina é um alimento tradicional em muitas cozinhas e costuma dividir opiniões por causa de sua textura e do próprio fato de ser uma parte menos convencional do animal. Apesar disso, do ponto de vista nutricional, ela não é simplesmente uma carne sem valor. Dados da Tabela Brasileira de Composição de Alimentos mostram que cem gramas de língua bovina crua fornecem cerca de duzentas e doze calorias, dezessete gramas de proteína e nutrientes como ferro, fósforo, zinco e vitamina B12.

Quando cozida sem adição de sal, entretanto, a composição muda consideravelmente. A mesma quantidade de cem gramas passa a fornecer aproximadamente trezentas e oito calorias, com mais de vinte e um gramas de proteína e cerca de vinte e cinco gramas de gordura. A língua também apresenta quantidade relevante de colesterol: aproximadamente cento e cinco miligramas por cem gramas na versão cozida. Isso significa que o alimento pode fazer parte da alimentação, mas a quantidade consumida e a frequência também precisam ser consideradas.

Um dos pontos positivos está justamente na concentração de proteína. Esse nutriente participa da manutenção e formação de músculos, além de desempenhar diversas funções importantes no organismo. A língua bovina também contém vitamina B12, nutriente relacionado à formação das células sanguíneas e ao funcionamento adequado do sistema nervoso. O ferro e o zinco presentes no alimento também participam de processos essenciais do organismo. Portanto, dizer simplesmente que comer língua bovina “faz mal” não representa o que os dados nutricionais mostram.

Por outro lado, existe um aspecto que merece atenção: a quantidade de gordura. Na língua bovina cozida, uma parcela significativa das calorias vem dos lipídios, incluindo gordura saturada. A Cleveland Clinic destaca que carnes de órgãos e outras partes classificadas como miúdos podem ser nutritivas, mas algumas apresentam níveis elevados de colesterol e gordura saturada. Para pessoas que precisam controlar o colesterol ou possuem fatores de risco cardiovascular, o consumo frequente pode não ser a escolha mais adequada.

Outro cuidado está relacionado ao modo de preparo. A língua precisa ser manipulada e cozida adequadamente, como qualquer outra carne. O cozimento correto ajuda a reduzir os riscos relacionados a microrganismos presentes em alimentos crus. Além disso, preparações que acrescentam grandes quantidades de sal, bacon, embutidos ou molhos muito gordurosos podem aumentar consideravelmente o teor de sódio e gordura da refeição, fazendo com que o resultado nutricional seja bem diferente do alimento preparado de forma mais simples.

Também é importante não confundir língua bovina com tecidos considerados de maior risco em relação à encefalopatia espongiforme bovina, conhecida como doença da vaca louca. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos explica que os príons responsáveis pela doença estão principalmente associados ao cérebro e que medidas de controle da cadeia alimentar incluem a retirada de materiais especificados de risco do sistema de alimentação humana.

Para quem gosta de língua bovina, portanto, não existe motivo para considerar automaticamente o alimento proibido. O ponto principal é equilíbrio. Uma porção moderada, dentro de uma alimentação variada, é diferente de consumir grandes quantidades com frequência. Pessoas com colesterol elevado, determinadas doenças cardiovasculares ou outras condições que exigem restrição de gordura devem conversar com um profissional de saúde ou nutricionista para saber como esse alimento pode se encaixar individualmente na dieta.

No fim das contas, a língua bovina pode surpreender justamente porque reúne características positivas e pontos que exigem atenção. Ela fornece proteína, vitamina B12, ferro, zinco e outros nutrientes, mas também possui quantidade considerável de gordura e colesterol. Por isso, o que comer língua bovina pode causar no organismo depende principalmente da quantidade, da frequência, do preparo e do contexto geral da alimentação

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