Cientistas revelam que comer tilápia pode causar inflamação? Entenda o que as pesquisas realmente mostram

A tilápia é presença frequente na mesa dos brasileiros por ser um peixe de sabor suave, relativamente acessível e fácil de preparar. Nos últimos anos, porém, algumas publicações passaram a afirmar que o consumo desse peixe poderia causar inflamação no organismo por causa da quantidade de ômega-6 presente em sua carne.
Mas será que isso é realmente comprovado pela ciência?
A resposta exige cuidado. Existem estudos que analisaram a composição de gorduras da tilápia e observaram que algumas variedades apresentam uma quantidade relativamente maior de ácidos graxos ômega-6 e menor de ômega-3 quando comparadas a peixes como salmão e truta. Isso, entretanto, não significa que comer tilápia automaticamente provoque inflamação em seres humanos.
De onde surgiu essa preocupação?
A discussão ganhou força principalmente por causa da proporção entre ômega-6 e ômega-3 encontrada em determinadas tilápias.
Um estudo publicado e indexado no PubMed comparou diferentes espécies de peixes cultivados e observou que a tilápia apresentava menos ômega-3 e uma proporção maior de ômega-6 em comparação com algumas outras espécies analisadas.
Outro trabalho, também disponível no PubMed, avaliou especificamente a relação entre ômega-6, ômega-3 e saúde humana. Os autores destacaram que a composição nutricional pode variar conforme a alimentação do peixe e outros fatores, e defenderam que a tilápia pode fazer parte de uma alimentação equilibrada.
Portanto, transformar esses resultados em uma afirmação de que “tilápia causa inflamação” seria ir além do que essas pesquisas demonstram.
E quanto ao mercúrio?
Essa é outra dúvida bastante comum quando se fala em peixes.
Peixes podem conter metilmercúrio, mas a quantidade varia bastante de acordo com a espécie. E, nesse aspecto, a tilápia aparece em uma posição favorável nas orientações da FDA e da EPA.
A tilápia está classificada entre as opções de peixe com baixo teor de mercúrio, chamadas de “Best Choices” pelas autoridades americanas. Dados utilizados na elaboração dessas recomendações indicaram concentração média de aproximadamente 0,01 ppm de mercúrio em 32 amostras de tilápia.
Isso é muito diferente de peixes predadores maiores, como tubarão, peixe-espada e algumas espécies de atum, que podem acumular níveis mais elevados de mercúrio.
Então comer tilápia faz mal?
Para a maioria das pessoas, não existe evidência suficiente para dizer que o simples consumo de tilápia provoque inflamação.
Na verdade, peixes são fontes de proteína, vitaminas e minerais e podem fazer parte de uma alimentação saudável. A própria orientação da FDA destaca os benefícios nutricionais do consumo de peixe e recomenda variar as espécies escolhidas.
O modo de preparo também importa. Uma tilápia grelhada ou assada, acompanhada de legumes, verduras, arroz ou outros alimentos nutritivos, é uma preparação bastante diferente de um filé empanado e frito em grande quantidade de óleo.
Além disso, não é necessário escolher apenas um tipo de peixe. Alternar tilápia com sardinha, salmão, truta e outras opções permite variar os nutrientes presentes na alimentação.
O que realmente merece atenção?
O mais importante é não transformar um estudo sobre composição nutricional em uma conclusão que ele não comprovou.
A tilápia possui características diferentes de peixes naturalmente mais ricos em ômega-3, mas isso não significa que seja um alimento perigoso. Para quem deseja aumentar a ingestão de EPA e DHA, peixes como sardinha e salmão podem oferecer quantidades maiores desses ácidos graxos.
Já em relação ao mercúrio, a tilápia está entre as opções consideradas de baixo teor pelas recomendações consultadas.
No fim das contas, a qualidade da alimentação depende do conjunto da dieta, e não de transformar um único alimento em vilão.
Se você gosta de tilápia, prepará-la de maneira simples e incluí-la em uma alimentação variada pode ser uma opção nutritiva.
Você costuma comer tilápia em casa? Prefere frita, assada ou grelhada?



