A história da avó de Vozinha: a “rainha” que inspirou o goleiro

A trajetória do goleiro cabo-verdiano Josimar José Évora Dias ganhou enorme repercussão internacional durante a Copa do Mundo de 2026, mas por trás das defesas decisivas e da fama recente existe uma história profundamente humana. O atleta, conhecido carinhosamente como Vozinha, sempre fez questão de destacar que sua formação pessoal e esportiva foi moldada dentro de casa, sob os cuidados dos avós, figuras centrais em sua criação e responsáveis por influenciar diretamente sua personalidade dentro e fora dos gramados.
Entre essas figuras, a avó materna, Maria Senhorinha dos Santos, ocupa um lugar especial na memória afetiva do goleiro. Ao lado do avô, Manuel da Luz Moraes, ela assumiu a responsabilidade de educar o menino em Cabo Verde, acompanhando de perto seus primeiros passos no futebol e na vida. Segundo relatos do próprio atleta, foi nesse ambiente familiar simples e rigoroso que ele aprendeu valores como disciplina, respeito e resiliência, fundamentais para sua carreira profissional.
A relação entre Vozinha e a avó era marcada por forte conexão emocional. Ele cresceu sob sua proteção e, ainda criança, desenvolveu o hábito de buscá-la como porto seguro após as dificuldades do cotidiano, especialmente depois de jogos mais duros com crianças mais velhas. Esse comportamento, aparentemente simples, acabou se tornando parte da origem do apelido “Vozinha”, que mais tarde o acompanharia por toda a carreira no futebol profissional e ganharia o mundo.
O apelido, que hoje se transformou em marca registrada, nasceu de forma espontânea entre amigos de infância e vizinhos. Sempre que sofria alguma queda ou entrada mais forte nos jogos de rua, o jovem corria para casa em busca dos avós. A reação constante fez com que os colegas passassem a chamá-lo de forma brincalhona, associando sua figura à forte ligação com a avó. Com o tempo, o nome deixou de ser uma brincadeira e se transformou em identidade esportiva.
Apesar de inicialmente não ter gostado da alcunha, o goleiro acabou abraçando o apelido ao longo dos anos. Quando começou a atuar profissionalmente fora de Cabo Verde, percebeu que era assim que já era reconhecido por muitos torcedores e treinadores. A decisão de manter “Vozinha” nas costas da camisa simbolizou não apenas uma escolha esportiva, mas também uma homenagem permanente à família que o criou e o sustentou durante toda a infância.
A avó Maria Senhorinha dos Santos, descrita pelo próprio jogador como uma figura firme e carinhosa, representava autoridade e afeto dentro de casa. Para Vozinha, ela era a verdadeira “rainha” da família, expressão usada para reforçar o respeito e a admiração que ele nutria por ela. Esse vínculo emocional permanece como uma das bases de sua identidade pessoal, mesmo após a fama e as conquistas no futebol internacional .
Hoje, ao alcançar o cenário mundial, Vozinha carrega consigo muito mais do que defesas importantes ou atuações memoráveis. Ele leva no nome, na história e na memória a presença da avó que o criou. Em cada jogo, o goleiro reafirma silenciosamente as raízes que o formaram, transformando uma história familiar simples em um símbolo de gratidão, superação e identidade que ultrapassa as fronteiras do futebol.



