O que é a “veia preta” do camarão e o que acontece se você a comer? O detalhe que poucos conhecem e muitos discutem

Aquela linha escura que aparece no dorso do camarão costuma gerar dúvidas frequentes entre consumidores e até certo receio na hora do preparo. Apesar do aspecto pouco convidativo para algumas pessoas, trata-se de uma característica natural do animal e não, necessariamente, de um sinal de problema. Entender o que ela representa ajuda a tomar decisões mais conscientes na cozinha e a aproveitar melhor esse alimento tão presente na culinária brasileira.
Na prática, a linha escura é o trato digestivo do camarão, popularmente chamado de “veia”, embora não seja uma veia de fato. Ela percorre a parte superior do corpo do crustáceo e pode conter resíduos da alimentação do animal, como algas, plâncton e pequenas partículas do ambiente marinho. A coloração varia entre tons de marrom e preto, dependendo do que foi ingerido, o que explica por que alguns camarões apresentam a linha mais evidente do que outros.
Do ponto de vista da segurança alimentar, a presença dessa linha não significa que o camarão esteja impróprio para consumo. Quando o produto está fresco e passa por um cozimento adequado, o calor elimina micro-organismos comuns e reduz riscos sanitários. Por isso, em termos de saúde, o consumo do camarão com o trato digestivo não costuma representar perigo para a maioria das pessoas.
No entanto, a segurança não é o único critério levado em conta. Questões relacionadas ao sabor, à textura e à experiência ao comer também influenciam a decisão de retirar ou não essa parte. Muitos consumidores relatam que, quando a linha é mantida, o camarão pode apresentar um gosto levemente mais forte ou uma sensação menos agradável ao mastigar, especialmente em preparações mais simples.
Na gastronomia profissional, a recomendação mais comum é remover o trato digestivo, principalmente em pratos que valorizam o sabor natural do camarão. Sem essa parte, a carne tende a ficar mais limpa, suave e uniforme, o que contribui para um resultado final mais refinado. Em receitas grelhadas, fritas ou salteadas, essa diferença costuma ser mais perceptível.
A boa notícia é que a remoção é simples. Com o camarão cru, basta fazer um pequeno corte superficial ao longo do dorso e puxar o canal escuro com a ponta de uma faca ou com um palito. Também é possível realizar o procedimento após o cozimento, embora a carne fique mais firme e o processo se torne um pouco menos prático. Ainda assim, não exige habilidade avançada.
Por fim, frescor e higiene continuam sendo os fatores mais importantes no preparo do camarão. Nem todos os exemplares apresentam a linha de forma visível, especialmente os menores, que muitas vezes são consumidos inteiros. Já nos camarões grandes, a retirada é mais comum, tanto por estética quanto por qualidade culinária. O essencial é escolher um produto de boa procedência, manter boas práticas na cozinha e decidir, de acordo com o prato, se vale ou não remover essa parte natural do alimento.



