BBB26

Sucesso do BBB26 depende de um fator que muitas pessoas ignoram

Muita gente acredita que o sucesso do BBB 26 está diretamente ligado ao impacto nas redes sociais, aos memes, aos cortes virais e aos trending topics. Porém, a verdade é outra: o reality show da Globo continua dependendo, principalmente, da audiência da TV aberta para se manter relevante, financeiramente viável e atraente para o mercado publicitário. Embora o engajamento digital seja importante para ampliar o alcance e manter o programa em evidência, é o desempenho na televisão linear que sustenta o modelo de negócios, garante investimentos milionários e define, na prática, o peso real do BBB no cenário da mídia brasileira.

Desde a pandemia de Covid 19, o comportamento do público mudou de forma significativa, impulsionando o consumo de conteúdo em plataformas digitais e redes sociais. O BBB 26 reflete essa transformação, acumulando números expressivos em interações online, visualizações de vídeos e participação do público em enquetes e debates virtuais. Ainda assim, os dados da Kantar Ibope permanecem como o principal termômetro do sucesso do programa, pois são eles que orientam decisões comerciais, investimentos publicitários e a percepção de valor do produto no mercado.

Na estreia, o BBB 26 apresentou sinais positivos na Grande São Paulo, mantendo índices semelhantes aos registrados pelo BBB 25. A expectativa interna era de um crescimento gradual ao longo das semanas, acompanhando o aumento natural do envolvimento do público com os participantes e as dinâmicas do jogo. No entanto, o movimento observado entre 19 e 25 de janeiro mostrou um cenário diferente, com uma queda de 6,9 por cento em relação aos números iniciais, gerando alertas dentro da emissora e entre analistas do setor.

Diante desse contexto, a Globo tem destacado os resultados expressivos nas plataformas digitais como uma forma de reforçar a relevância do BBB 26. Esse discurso ganha ainda mais peso após o programa registrar, em 21 de janeiro, a pior audiência de sua história na TV aberta. Mesmo assim, o ponto fundamental permanece: apesar da transformação no consumo de mídia, é a televisão aberta que continua garantindo a maior fatia das receitas e sustentando economicamente o reality show.

O balanço financeiro mais recente da emissora confirma que a publicidade veiculada na TV aberta segue sendo uma das principais fontes de receita. Embora o digital esteja em expansão e apresente crescimento consistente, ele ainda não alcança o mesmo nível de impacto, alcance e retorno financeiro proporcionado pela programação linear. A liderança histórica da Globo nesse segmento fortalece o poder de negociação com anunciantes e mantém o BBB como um dos produtos mais valiosos da grade.

O BBB 26 é, sem dúvida, um fenômeno nas redes sociais, gerando conversas diárias, debates intensos e alto volume de conteúdo compartilhado. No entanto, esse sucesso online só se sustenta porque o programa permanece financeiramente sólido na televisão. Um Big Brother Brasil que não se mantenha como um produto forte na TV aberta tende a perder relevância estratégica, já que o maior peso econômico e institucional do formato ainda está ligado à audiência linear.

No fim das contas, o BBB 26 evidencia uma contradição típica da indústria atual: enquanto o engajamento digital cresce e gera visibilidade, é a televisão aberta que assegura a sobrevivência do produto. As big techs dominam o ambiente digital e impõem uma lógica algorítmica sobre a qual a Globo tem pouco controle, enquanto a TV segue como o espaço onde a emissora exerce maior autonomia e rentabilidade. O futuro pode apontar para um equilíbrio maior entre as plataformas, mas, por enquanto, o jogo continua sendo vencido no Ibope, e não apenas em curtidas, cliques ou assuntos em alta.

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