A Fazenda 17

Rayane Figliuzzi em A Fazenda 17: Entre o Processo por Estelionato e as Acusações que Incendeiam o Reality

Rayane Figliuzzi, participante de A Fazenda 17, tornou-se um dos nomes mais comentados do reality não apenas pelas disputas internas, mas também pelo processo por estelionato ao qual responde fora do programa. A situação é frequentemente mencionada pelos colegas de confinamento e transformou-se em instrumento de ataque durante as brigas. O caso, contudo, é mais complexo do que as provocações fazem parecer, envolvendo conceitos jurídicos que nem sempre são compreendidos pelo público e pelos próprios participantes.

O crime de estelionato, conforme explica o advogado criminalista Rafael Paiva, ocorre quando alguém utiliza fraude ou mentira para obter vantagem financeira, gerando prejuízo à vítima. Para que o delito seja configurado, três elementos precisam estar presentes: fraude, vantagem ilícita e prejuízo. Se algum deles faltar, não há crime. Essa definição, embora simples, é frequentemente distorcida quando aplicada ao caso da peoa dentro do confinamento, onde rumores e interpretações pessoais acabam se sobrepondo aos fatos.

Rayane foi detida em 2022 sob suspeita de participação no chamado “golpe do motoboy”, praticado especialmente contra idosos em Florianópolis. Esse esquema consistia em criminosos que se passavam por funcionários de bancos e informavam às vítimas sobre supostas compras suspeitas em seus cartões. Logo depois, um motociclista comparecia à residência do alvo e recolhia o cartão físico, que depois era utilizado para consumos indevidos. A investigação apontou que a influenciadora poderia estar ligada a essa quadrilha, o que resultou na abertura do processo que segue em andamento.

Apesar da existência da ação penal, Paiva esclarece que nada disso impediria a entrada de Rayane em A Fazenda. Processos em curso não funcionam como impedimento automático; apenas condenações específicas que imponham restrições de direitos poderiam barrar a participação em um reality show. Por esse motivo, sua presença no programa não representa violação de qualquer regra legal ou contratual, ao contrário do que alguns rivais insistem em sugerir durante as discussões.

Outra questão levantada pelo público diz respeito ao que aconteceria caso a influenciadora fosse condenada enquanto estivesse confinada. O advogado explica que tudo depende do conteúdo da eventual sentença. Se ela implicar prisão, restrições de direitos ou obrigações que exijam comparecimento presencial, sua permanência no reality poderia se tornar inviável. Em qualquer outro cenário, não haveria impedimento automático, e a decisão dependeria tanto da Justiça quanto da emissora.

Dentro do programa, a situação jurídica de Rayane virou munição para ataques. A palavra “golpista” tornou-se uma provocação recorrente e um estopim para conflitos. No entanto, segundo Paiva, o uso desse tipo de acusação pode ter consequências sérias no futuro. Atribuir crime a alguém sem prova ou sem condenação pode configurar calúnia. Ofensas que atingem a dignidade podem ser enquadradas como injúria, e declarações que prejudiquem a reputação podem ser consideradas difamação. Em outras palavras, os rivais podem estar se expondo a futuras ações judiciais da própria participante.

O advogado reforça que processo não é sinônimo de condenação. Rotular alguém como criminosa sem sentença definitiva é juridicamente arriscado e pode gerar responsabilização tanto civil quanto criminal. O ambiente de um reality show, marcado por exposição intensa, transforma qualquer acusação em um dano potencialmente maior, aumentando inclusive o valor de eventuais indenizações por danos à imagem.

Fora da casa, a equipe de Rayane se pronunciou após a repercussão do tema, buscando esclarecer informações que circulam nas redes e no próprio jogo. Em nota, afirmaram que ela responde a um processo ainda não finalizado e, portanto, não pode ser tratada como culpada. Destacaram ainda que Rayane nunca esteve presa, mas apenas detida temporariamente, conforme determina a lei em situações de investigação.

Essa distinção — entre detenção e prisão — tem grande importância jurídica. A detenção ocorre em contextos específicos, geralmente por suspeita, e não implica condenação. A prisão, por outro lado, decorre de sentença ou decisão judicial mais severa. A narrativa do confinamento, no entanto, costuma ignorar essas nuances, espalhando versões distorcidas que acabam alimentando conflitos desnecessários.

O caso de Rayane em A Fazenda revela como discussões jurídicas podem ser simplificadas ou manipuladas dentro de um ambiente de alta competitividade e exposição. Ao mesmo tempo, mostra como a Justiça e a opinião pública operam em ritmos diferentes: enquanto o processo segue seus trâmites formais, no reality a peoa precisa lidar diariamente com julgamentos instantâneos e acusações que ultrapassam os limites do jogo.

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