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Lulinha, filho de Lula, é citado diretamente em agenda apreendida pela PF

O nome de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, voltou ao centro do noticiário político nos últimos dias após aparecer em documentos reunidos pela Polícia Federal no âmbito da Operação Sem Desconto. A investigação apura fraudes em descontos associativos aplicados a benefícios do INSS e, embora o filho mais velho do presidente Lula não seja alvo formal, referências a ele surgiram em materiais apreendidos e em conversas interceptadas, o que reacendeu debates e leituras divergentes sobre o caso.

Tudo começou a ganhar contornos mais claros a partir de uma anotação encontrada em uma agenda durante a primeira fase da operação, realizada em abril de 2025. No papel, havia a menção “Fábio (filho Lula)” ao lado de dados como CPF, datas e contatos. O envelope em que a anotação estava guardada também continha ingressos para o camarote 309 de um show em Brasília e referência a um flat no condomínio Brisas do Lago, na capital federal. O conteúdo foi revelado por documentos obtidos pela imprensa e passou a integrar decisões judiciais que autorizaram novas etapas da investigação.

A decisão do Supremo Tribunal Federal que embasou a fase mais recente da operação cita ainda diálogos entre Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS e apontado como principal articulador das fraudes, e a empresária e lobista Roberta Luchsinger. Amiga próxima de Lulinha, Roberta demonstrou preocupação, em mensagens, com a apreensão do envelope. Em um dos trechos, ela menciona que foi encontrado um material com o nome de “nosso amigo”, expressão que se repete em outras conversas analisadas pelos investigadores.

Essas mensagens, trocadas por WhatsApp, também mostram orientações para descartar possíveis provas. Segundo a PF, o conteúdo sugere uma tentativa de evitar que certos elementos fossem associados à investigação. Além disso, relatórios do Coaf apontam transferências que somam R$ 1,5 milhão do Careca do INSS para Roberta, em cinco pagamentos iguais. A decisão do STF menciona que esses valores teriam como destino final o “filho do rapaz”, expressão interpretada pelos investigadores como uma referência indireta a Lulinha.

Outro ponto levantado é a relação comercial entre Roberta e o Careca do INSS. Documentos indicam a existência de contratos de consultoria sem detalhamento técnico claro, além da emissão de notas fiscais genéricas. A Polícia Federal avalia que Roberta teria atuado como elo entre os esquemas investigados e pessoas próximas ao filho do presidente, embora reconheça que ainda não há comprovação de envolvimento direto dele nas fraudes contra aposentados e pensionistas.

As defesas rebatem com firmeza. O advogado de Roberta, Bruno Salles, afirma que as acusações estão fora de contexto e que ela jamais atuou em negócios ligados a descontos do INSS. Segundo ele, as conversas com Antônio Carlos se restringiram a ideias iniciais sobre projetos no setor de canabidiol, que não avançaram. Já Marco Aurélio de Carvalho, amigo de Lulinha, sustenta que o filho do presidente não contratou advogado justamente por não ser investigado formalmente e classifica as mensagens como fruto de boatos antigos, relembrando episódios passados que acabaram desmentidos.

Dentro da própria Polícia Federal, o caso divide opiniões. Há quem defenda aprofundar as apurações sobre a eventual participação de Lulinha, enquanto outro grupo considera que os indícios reunidos até agora são insuficientes para medidas mais duras. O entendimento predominante, ao menos por ora, é de que ele não está diretamente envolvido nas fraudes investigadas.

Questionado sobre o assunto, o presidente Lula adotou um tom direto. Disse que ninguém está acima da lei e que, se houver indícios contra qualquer pessoa, inclusive um filho seu, as investigações devem seguir. A fala reforça a expectativa de que o caso continue sob escrutínio público, em um ambiente político já naturalmente atento a qualquer detalhe que envolva nomes próximos ao poder.

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