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Lula pede que PT não ataque Flávio Bolsonaro

Nos bastidores de Brasília, a movimentação para 2026 já começou, mesmo faltando tempo no calendário oficial. E, como costuma acontecer na política brasileira, muito do jogo acontece longe dos microfones. Nos últimos dias, ganhou força a informação de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria orientado o PT e setores da esquerda a evitarem ataques diretos à possível candidatura de Flávio Bolsonaro, senador pelo PL do Rio de Janeiro.

A lógica por trás dessa estratégia é pragmática. No núcleo político do governo, há a avaliação de que enfrentar um candidato com o sobrenome Bolsonaro pode ser mais vantajoso do que encarar nomes considerados mais competitivos. No chamado “duelo de rejeições”, petistas acreditam que ainda conseguem vencer qualquer candidatura diretamente associada ao bolsonarismo, sobretudo após os desgastes acumulados nos últimos anos.

O bolsonarismo, aliás, segue sendo o principal polo de oposição ao PT. Mesmo com tentativas de surgimento de uma terceira via, o espaço político continua polarizado. Para o PL, isso tem sido estratégico. O partido mantém uma base fiel de eleitores e conta com um forte puxador de votos, o que garante uma bancada expressiva na Câmara dos Deputados. Na prática, isso se traduz em bilhões de reais em fundo partidário e eleitoral, reforçando o poder da legenda no Congresso.

Ao evitar ataques a Flávio Bolsonaro neste momento, o governo Lula também trabalha para impedir uma mudança de rota na direita. O cálculo é simples: se Flávio permanecer como opção, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, tende a ficar fora da disputa presidencial. Tarcísio é visto, inclusive por aliados do Planalto, como um nome mais competitivo eleitoralmente, com maior capacidade de diálogo fora da bolha bolsonarista.

Dentro dessa equação, a esquerda avalia que um eventual recuo de Flávio Bolsonaro abriria espaço para Tarcísio, que poderia atrair eleitores de centro e até parte da direita menos ideológica. Além disso, caso entrasse na corrida presidencial, o governador paulista seria alvo tanto do PT quanto do bolsonarismo, ficando pressionado dos dois lados do espectro político.

Outro movimento relevante envolve Ciro Gomes. Após meses de especulações, o ex-ministro e ex-candidato à Presidência teria se convencido de que o melhor caminho, neste momento, é disputar o Governo do Ceará. A avaliação é que, em caso de vitória no estado, ele poderia enfraquecer diretamente o PT em um território governado pelo partido desde 2015. Essa decisão também encerra, ao menos por agora, os rumores de que Ciro tentaria novamente o Palácio do Planalto para tirar votos de Lula.

O cenário que se desenha mostra um tabuleiro político conhecido, mas com peças se movimentando com cautela. Lula, experiente, parece apostar na manutenção da polarização, onde acredita ter mais controle do jogo. A direita, por sua vez, tenta equilibrar fidelidade à base com a busca por nomes mais competitivos.

Enquanto isso, o eleitor acompanha tudo à distância, ainda mais preocupado com temas do presente do que com a disputa futura. Mas, nos corredores do poder, 2026 já começou. E, como sempre, cada silêncio, cada gesto e cada ausência de ataque também fazem parte da estratégia.

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