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A apreensão de um petroleiro em águas internacionais próximas à costa da Venezuela voltou a colocar o Caribe no centro do noticiário internacional. A ação foi conduzida pela Guarda Costeira dos Estados Unidos e aconteceu poucos dias depois do anúncio de um bloqueio naval a embarcações envolvidas no transporte de petróleo venezuelano. O episódio amplia a já tensa relação entre Washington e o governo de Nicolás Maduro, marcada por sanções, discursos duros e movimentações militares incomuns na região.
O navio interceptado foi o Centuries, de bandeira panamenha. Segundo informações divulgadas por autoridades americanas e por fontes do setor petroleiro, a abordagem ocorreu na madrugada de sábado e não houve qualquer reação por parte da tripulação. A embarcação levava petróleo venezuelano com destino à Ásia e, até então, não aparecia na lista oficial de sanções do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Reportagem do New York Times apontou ainda que o navio pertence a uma empresa chinesa que costuma operar no transporte de petróleo da Venezuela, o que adiciona um novo elemento geopolítico ao caso.
A secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, confirmou a apreensão e afirmou que o governo americano pretende intensificar o combate ao que chamou de “movimento ilícito de petróleo”. Segundo ela, esse comércio serviria para financiar atividades ilegais na região. A fala reforça o tom adotado recentemente pela Casa Branca, que vem tratando o tema energético como peça-chave de sua política externa para a América Latina.
Do lado venezuelano, a reação foi imediata. O chanceler Yvan Gil classificou a ação como um ato de pirataria em águas internacionais e criticou duramente a postura americana. Ele afirmou, inclusive, ter conversado com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, que teria se mostrado disposto a cooperar com Caracas diante do que considera uma escalada de pressão por parte dos Estados Unidos.
Esse episódio ocorre em meio à maior mobilização militar americana na região em décadas. Estima-se que cerca de 15 mil soldados, além de navios de guerra e aeronaves, estejam envolvidos na chamada Operação Lança do Sul. Oficialmente, o Pentágono diz que o objetivo é combater o narcotráfico, mas o foco recorrente sobre embarcações ligadas ao setor de petróleo levanta questionamentos sobre as reais prioridades da operação.
No início do mês, no dia 10, outro petroleiro, o Skipper, já havia sido apreendido. Nesse caso, o navio constava na lista de sanções por transportar petróleo iraniano. A diferença é que o Centuries se tornou o primeiro alvo após o decreto formal do bloqueio naval, medida que o governo venezuelano classificou como “irracional” e sem respaldo no direito internacional.
Donald Trump, em declarações recentes, voltou a mencionar a nacionalização do setor energético venezuelano, iniciada nos anos 1970, dizendo que os venezuelanos “tomaram todo o nosso petróleo” e que os Estados Unidos querem “tudo de volta”. Hoje, apenas a Chevron mantém operações no país, graças a uma licença especial concedida pelo governo americano.
Enquanto isso, Caracas rejeita as acusações feitas contra Maduro e afirma que elas servem apenas para justificar uma política de pressão constante. Com discursos cada vez mais duros e ações práticas no mar, o cenário indica que o tema do petróleo seguirá no centro dessa disputa, sem sinais claros de arrefecimento no curto prazo.



