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Quem era Mario Pineida, ex-jogador do Fluminense assassinado no Equador

A quarta-feira, 17, amanheceu mais silenciosa no futebol equatoriano. A notícia da morte de Mario Pineida, aos 33 anos, se espalhou rápido, primeiro pelas redes sociais, depois pelos portais esportivos e, por fim, pelas conversas de bar e arquibancada. Não era apenas mais um jogador. Era alguém que marcou uma geração e deixou sua impressão em campo com raça, intensidade e personalidade.

Nascido na província de Santo Domingo de Los Tsáchilas, Pineida começou cedo no futebol. Ainda adolescente, já vestia a camisa da seleção equatoriana nas categorias de base, desde o sub-15. Quem acompanhava de perto dizia que ele tinha algo diferente. Não era o mais técnico, nem o mais midiático, mas compensava com entrega total. Talvez daí tenha surgido o apelido que o acompanhou por toda a carreira: “Pitbull”.

A trajetória profissional começou em 2009, no Panamá SC, clube de Guayaquil. Um ano depois, deu um salto importante ao se transferir para o Independiente del Valle, equipe que se tornaria uma das principais forças do futebol do país nos anos seguintes. Foi ali que Pineida ganhou visibilidade e amadureceu como lateral-esquerdo, posição que exige pulmão, leitura de jogo e coragem para subir e recompor.

Em 2016, veio o Barcelona de Guayaquil. Sob o comando do uruguaio Guillermo Almada, Pineida fez parte do elenco campeão nacional, um momento marcante de sua carreira. Quatro anos depois, voltou a levantar o troféu equatoriano, agora dirigido pelo argentino Fabián Bustos. Entre esses títulos, ainda ajudou o clube a chegar às semifinais da Copa Libertadores em 2017 e 2021, campanhas que seguem vivas na memória do torcedor.

Fora do Equador, o lateral também deixou sua marca. Em 2022, foi emprestado ao Fluminense, onde disputou 24 partidas ao longo da temporada. Não ficou muito tempo, mas foi lembrado pela dedicação em campo e pelo profissionalismo fora dele. No mesmo período, seguiu sendo convocado para a seleção equatoriana, participando das Eliminatórias para as Copas do Mundo de 2018, na Rússia, e 2022, no Catar.

O último título da carreira veio recentemente, com o El Nacional, na Copa do Equador. Já em 2025, Pineida havia retornado ao Barcelona de Guayaquil, clube onde viveu seus melhores momentos. Era visto como peça importante do elenco, alguém experiente, respeitado no vestiário e identificado com a camisa.

Sua morte, ocorrida no norte de Guayaquil, chocou ainda mais pelo contexto. Ele estava acompanhado da mãe e de uma mulher identificada como Guisella Fernández, que também não resistiu. Dias depois, veio à tona a informação de que Pineida havia pedido proteção especial ao clube por conta de ameaças que vinha recebendo, algo confirmado pelo presidente do Barcelona à imprensa local.

O caso reacende um debate delicado. O futebol equatoriano atravessa um período preocupante, com uma sequência de ataques envolvendo atletas. Além de Pineida, outras perdas recentes incluem Leandro Yépez, Maicol Valencia, Jonathan González e o jovem Miguel Nazareno, de apenas 16 anos. Nomes, histórias e sonhos interrompidos cedo demais.

Mario Pineida deixa gols, títulos, jogos memoráveis e, principalmente, a imagem de um jogador que nunca se escondeu. Dentro de campo, brigava por cada bola. Fora dele, agora, fica a lembrança e a saudade de quem viveu o futebol com intensidade até o fim.
 

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