Reta final de Dona de Mim é marcada por desgaste narrativo e repetição de conflitos

A novela Dona de Mim chega à sua reta final envolta em críticas cada vez mais frequentes por parte do público e da imprensa especializada. Exibida no horário das sete da Globo, a trama ultrapassou a marca de 200 capítulos e tem previsão de encerramento apenas em janeiro, o que intensificou a sensação de desgaste narrativo. O excesso de episódios acabou impactando diretamente o ritmo da história, que passou a repetir conflitos e situações já exploradas diversas vezes ao longo da exibição.
Desde o início, Dona de Mim apresentou boas ideias e um elenco forte, o que gerou expectativas positivas. No entanto, com o passar dos meses, a narrativa começou a se apoiar excessivamente em um único eixo dramático, deixando outros arcos em segundo plano. Essa escolha acabou limitando o desenvolvimento dos personagens e tornando previsíveis muitos dos acontecimentos, afastando parte do público que esperava uma evolução mais dinâmica.
O principal ponto de desgaste da novela é a disputa pela guarda de Sofia, personagem vivida por Elis Cabral. O conflito surgiu logo no primeiro mês, quando Vanderson, interpretado por Armando Babaioff, apareceu como o pai biológico da menina. Naquele momento, a revelação trouxe impacto e prometia mudar os rumos da história, criando um dilema emocional e jurídico relevante para os protagonistas.
Com o passar do tempo, porém, a disputa pela guarda passou a ser retomada de forma recorrente, quase sempre com as mesmas discussões e impasses. A cada nova reviravolta, surgiam acusações, acordos temporários e novos obstáculos legais, mas sem avanços concretos. O resultado foi a sensação de que a trama estava andando em círculos, insistindo em um conflito que já havia perdido força dramática.
De acordo com análises de especialistas em novelas, a autora Rosane Svartman apostou fortemente nesse embate central como motor da história. Embora a estratégia tenha funcionado inicialmente, a repetição excessiva acabou enfraquecendo o impacto emocional. Em vez de aprofundar as consequências do conflito, a narrativa passou a apenas prolongá-lo, o que contribuiu para a perda de interesse de parte da audiência.
Na tentativa de renovar o enredo, a trama incorporou um tom de vingança ao aproximar Jaques, vivido por Marcello Novaes, de Vanderson. Movido pelo desejo de atingir o irmão Abel, personagem de Tony Ramos, Jaques decide apoiar o plano do vilão, adicionando uma rivalidade familiar ao conflito judicial. Essa aliança trouxe novas tensões, mas também reforçou a sensação de repetição.
Mesmo com essa nova camada, muitos telespectadores apontam que as situações continuam se resolvendo de forma provisória, apenas para serem reabertas em capítulos seguintes. A falta de resoluções definitivas contribuiu para a percepção de que a novela se estendeu além do necessário, sacrificando a fluidez da história em nome da duração.
Outro ponto criticado é a dificuldade da trama em equilibrar seus núcleos. Personagens secundários, que poderiam trazer leveza ou novas perspectivas, acabaram subaproveitados. Com isso, a narrativa ficou excessivamente concentrada nos mesmos conflitos, reduzindo a variedade de temas e emoções que costumam marcar novelas desse horário.
Apesar das críticas, Dona de Mim ainda é reconhecida por seu elenco experiente e por momentos pontuais de boa dramaturgia. As atuações, especialmente dos veteranos, seguem sendo um dos principais trunfos da produção, mantendo parte do público fiel até o desfecho. Ainda assim, muitos avaliam que a história poderia ter sido mais impactante com uma condução mais objetiva.
Agora, na reta final, a expectativa é que a novela consiga amarrar suas pontas soltas e oferecer um encerramento convincente. O desafio é recuperar o ritmo perdido e dar resoluções claras aos conflitos centrais, evitando novos adiamentos. Resta saber se Dona de Mim conseguirá transformar as críticas em aprendizado e encerrar sua trajetória de forma satisfatória para o público.



