Heloísa Helena toma posse no lugar de Glauber e critica governo Lula

A volta de Heloísa Helena ao Congresso Nacional, oficializada na terça-feira, 16 de dezembro de 2025, trouxe um clima de reencontro com o passado e, ao mesmo tempo, de tensão política. Empossada como deputada federal, ela assume temporariamente a cadeira deixada por Glauber Braga (Psol-RJ), afastado por seis meses após decisão da Câmara. Primeira suplente da federação formada por Rede Sustentabilidade e Psol, Heloísa retorna a um espaço que conhece bem, mas em circunstâncias que, segundo ela, estão longe de serem naturais.
Logo em seu discurso de posse, a deputada deixou claro o tom que pretende adotar. Disse que jamais imaginou voltar ao Parlamento em meio a uma situação que classificou como injusta. Para ela, Glauber Braga foi penalizado por enfrentar estruturas de poder arraigadas e por adotar uma postura combativa dentro da Casa. A suspensão do mandato ocorreu após um episódio em abril de 2024, quando o deputado se envolveu em uma confusão com um integrante do MBL, fato enquadrado como quebra de decoro parlamentar.
Sem rodeios, Heloísa Helena também tratou de delimitar sua posição em relação ao atual governo. A parlamentar afirmou que não atuará de forma alinhada ao Palácio do Planalto e reforçou que sua trajetória sempre foi marcada pela independência. Disse que continuará defendendo suas convicções, sem submissão a lideranças ou projetos políticos, independentemente de quem esteja no poder.
Ao resgatar momentos marcantes de sua carreira, Heloísa lembrou a reforma da Previdência de 2003, aprovada durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na época, senadora pelo PT, ela votou contra a proposta por entender que a medida retirava direitos de servidores públicos. A decisão acabou custando sua permanência no partido. Segundo relatou, foi um período difícil, marcado por embates duros e repressão a manifestações contrárias à reforma. “Pagamos um preço muito alto”, afirmou, em referência às consequências políticas e pessoais daquele episódio.
A deputada deixou claro que pretende manter uma postura crítica em relação ao governo federal atual, especialmente em temas como privatizações e políticas econômicas que, na sua avaliação, priorizam o mercado financeiro. Ela afirmou que não fará concessões quando enxergar prejuízos à população mais pobre e aos trabalhadores, reiterando que sua atuação será guiada por princípios e não por conveniências.
Heloísa Helena também direcionou críticas ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ela, a gestão foi marcada por falhas graves durante a pandemia de Covid-19, período em que o país registrou mais de 700 mil mortes. A deputada afirmou que houve ausência de responsabilidade institucional e criticou o tom adotado pelo então presidente em momentos decisivos. Também mencionou episódios que, em sua visão, representaram riscos à democracia brasileira.
Ao falar sobre suas prioridades no mandato, Heloísa destacou a defesa do que chama de “Brasil real”. Citou trabalhadores de baixa renda, moradores das periferias, jovens expostos à violência cotidiana, mulheres que sustentam suas famílias sozinhas e servidores públicos das áreas essenciais, como saúde, educação, segurança e assistência social. Entre as propostas mencionadas, está a criação de um observatório para acompanhar a execução do Orçamento, além da defesa da ampliação de direitos e do combate às desigualdades.
Com uma trajetória política que inclui a eleição ao Senado em 1998, a fundação do Psol e uma candidatura à Presidência da República em 2006, quando ficou em terceiro lugar, Heloísa Helena retorna ao Congresso reafirmando um discurso conhecido: crítico, independente e voltado para causas sociais. Resta agora observar como essa postura se traduzirá na prática parlamentar nos próximos meses.



