Famosos

Rodrigo Faro é condenado na Justiça por publicidade enganosa

Nem sempre a imagem pública e o carisma que conquistam milhões de pessoas são suficientes para afastar problemas na Justiça. Foi isso que aconteceu com o apresentador Rodrigo Faro, que acabou sendo condenado em um processo judicial envolvendo a empresa Trie Soluções Financeira, da qual era garoto-propaganda. A informação foi revelada pela coluna da jornalista Fábia Oliveira e rapidamente ganhou repercussão nas redes e nos bastidores do meio artístico.

O processo teve início em janeiro deste ano e foi movido por Márcia Regina da Silva Pauli, uma consumidora que buscava aliviar o peso das parcelas do financiamento de seu veículo. Segundo o relato apresentado à Justiça, Márcia procurou a Trie após ser atraída pela promessa de recálculo do contrato, com redução de juros considerados abusivos. A proposta parecia simples, acessível e, principalmente, confiável — em grande parte pela presença de um rosto conhecido da televisão brasileira nas campanhas da empresa.

A consumidora firmou contrato com a Trie e passou a pagar os valores combinados, acreditando que a empresa ficaria responsável por administrar os pagamentos e repassá-los à financiadora do veículo. No entanto, o que era para ser uma solução virou um problema ainda maior. O financiamento original deixou de ser pago e, como consequência, o carro de Márcia acabou sendo apreendido, gerando transtornos financeiros e emocionais.

Diante da situação, ela decidiu acionar judicialmente não apenas a empresa, mas também Rodrigo Faro. O argumento foi direto: ao associar sua imagem à marca, o apresentador teria emprestado sua credibilidade e influência, funcionando como um fator decisivo para que ela confiasse na proposta. Para a autora da ação, a publicidade teve peso real na decisão de contratar o serviço.

A sentença foi proferida no dia 11 de dezembro e não foi favorável ao comunicador. A Justiça condenou solidariamente Rodrigo Faro e a Trie Soluções Financeira a devolver cerca de R$ 4 mil pagos pelos serviços, além do pagamento de R$ 15 mil a título de indenização por danos morais. A decisão chamou atenção pelo tom firme adotado pela magistrada responsável pelo caso.

Na avaliação da juíza, a divulgação dos serviços foi feita de maneira manifestamente enganosa e reprovável. O texto da sentença destaca que houve uma quebra da confiança legítima depositada pela consumidora na palavra do apresentador. Segundo a magistrada, Faro não foi apenas um rosto distante da campanha, mas teve participação ativa na divulgação da empresa, contribuindo diretamente para o prejuízo sofrido pela autora e por outros consumidores.

Outro ponto ressaltado na decisão foi a projeção pública de Rodrigo Faro. Para a Justiça, justamente por ser uma figura amplamente conhecida e respeitada, o impacto de sua associação a uma empresa com práticas irregulares se torna ainda maior. A credibilidade construída ao longo dos anos acabou, nesse caso, funcionando como um instrumento de persuasão com efeitos concretos.

A Trie Soluções Financeira também foi duramente criticada na sentença. A juíza apontou falhas graves na prestação do serviço, o descumprimento do contrato e a extensão dos prejuízos causados à consumidora, que é idosa. O entendimento foi de que houve violação clara das obrigações assumidas.

O caso serve como alerta, tanto para consumidores quanto para figuras públicas. Para quem contrata serviços financeiros, a atenção deve ser redobrada, mesmo quando a propaganda vem acompanhada de rostos conhecidos. Já para celebridades, a decisão reforça que associar a própria imagem a uma marca envolve responsabilidade — e pode ter consequências que vão além da televisão.
 

Mostrar mais

LEIA TAMBÉM: