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Dívida de fazenda termina em desaparecimento de quatro pessoas no Paraná: suspeitos estão foragidos

Quatro homens saíram de São Paulo rumo ao interior do Paraná para cobrar uma dívida de R$ 255 mil. Horas depois, simplesmente desapareceram. Agora, gravações de voz enviadas por um deles à esposa, minutos antes do encontro fatal, vieram à tona e revelam o clima de medo que antecedeu o desfecho. “Aqui é perigoso, eles têm ligação com tráfico e contrabando de cigarro”, alerta a voz trêmula de Diego Henrique Affonso, de 34 anos, em um dos áudios que gelam a espinha de quem ouve.

Tudo começou com uma negociação aparentemente comum: Alencar Gonçalves de Souza, morador de Icaraíma, vendeu sua fazenda para a família Buscariollo e aceitou receber em dez promissórias de R$ 25 mil. Um ano se passou e nenhuma parcela foi paga. Cansado de esperar, Alencar convocou três conhecidos especialistas em “fazer o devedor lembrar da dívida” – Diego, Rafael Juliano Marascalchi e Robishley Hirnani de Oliveira, todos da região de São José do Rio Preto (SP). No dia 5 de agosto de 2025, os quatro seguiram na picape Fiat Toro branca em direção à propriedade rural em Vila Rica, distrito de Icaraíma. Era por volta do meio-dia. Depois disso, silêncio total.

Nos áudios enviados à esposa, Diego descreve a tensão no ar: os compradores estariam se escondendo, mudando constantemente de endereço e sendo vistos sempre armados. “O Alencar já me avisou que é gente pesada, envolvida com contrabando na fronteira e até com boca de fumo”, relata. Em outro trecho, ele pede que a mulher reze por eles e avisa que, se algo acontecer, ela saberá por quem procurar. São 44 dias de angústia até que, em 19 de setembro, a polícia encontrou os corpos em uma cova rasa, a apenas 500 metros de onde a picape estava enterrada dentro de um bunker.

A investigação da Polícia Civil do Paraná aponta para uma emboscada planejada com precisão. O grupo foi recebido e, em questão de minutos, tudo terminou. Não houve sinais de discussão prolongada ou cativeiro – apenas a rapidez de quem já sabia exatamente o que iria fazer. Laudos divulgados nesta semana confirmam que os disparos foram feitos logo na chegada, reforçando a tese de que os quatro foram atraídos para o local sob falso pretexto de negociação.

Os principais suspeitos são exatamente os devedores: Antônio Buscariollo, 66 anos, e o filho Paulo Ricardo, 22. Pai e filho estão foragidos desde 9 de agosto e têm mandados de prisão expedidos. Investigadores encontraram munições compatíveis na propriedade e depoimentos de moradores da região reforçam que a dupla já era conhecida por transitar em círculos ligados ao contrabando paraguaio de cigarros e ao comércio de entorpecentes. A recompensa oferecida pelas famílias das vítimas já chega a R$ 50 mil por informações que levem à captura.

O caso expõe um lado sombrio das cobranças extrajudiciais no interior do Brasil. Três das quatro vítimas tinham passagens por ameaça, estelionato e até tentativa de homicídio – eram profissionais conhecidos exatamente por “resolver” dívidas à sua maneira. Mesmo assim, desta vez encontraram alguém que não aceitou ser pressionado. A história serve de alerta: em regiões de fronteira, onde o crime organizado circula com facilidade, uma promissória não paga pode custar muito mais do que dinheiro.

Enquanto drones e equipes seguem vasculhando a vasta área rural entre Paraná, Mato Grosso do Sul e Paraguai, a população acompanha cada novidade com respiração suspensa. Os áudios de Diego continuam rodando em grupos de WhatsApp e nas redes sociais, transformando uma tragédia local em um dos casos mais comentados do país em 2025. A pergunta que não sai da cabeça de ninguém é simples e assustadora: quantas outras dívidas silenciosas ainda terminam assim, longe dos holofotes, nas estradas poeirentas do interior? A resposta, por enquanto, permanece enterrada junto com os segredos daquela fazenda em Icaraíma.

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