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Caso Benício: Justiça do Amazonas nega pedido de prisão contra médica após defesa apresentar vídeo

A morte do pequeno Benício Xavier, ocorrida em Manaus, continua mobilizando pessoas em todo o país. O caso, que começou com uma ida simples ao Hospital Santa Júlia por conta de dor de garganta e tosse, acabou se transformando em um dos episódios mais comentados das últimas semanas. Mesmo com tantos debates nas redes sociais, muitos detalhes ainda estão sendo analisados e novas informações surgem a cada dia, reacendendo a discussão sobre segurança em atendimentos médicos.

Benício havia sido atendido no mesmo hospital alguns meses antes, quando apresentou sintomas parecidos. Na ocasião, segundo a família, teria recebido adrenalina por via oral, procedimento que, ao que consta, não gerou complicações. O cenário agora, porém, seguiu por um caminho completamente diferente. De acordo com o boletim policial, o menino recebeu uma dose elevada de adrenalina pela veia, o que desencadeou uma série de questionamentos sobre o protocolo do atendimento daquela noite.

A médica responsável pelo caso, Juliana Brasil Santos, tornou-se o centro das investigações. Ela responde a um inquérito policial e chegou a ser alvo de um pedido de prisão. Contudo, o Tribunal de Justiça do Amazonas negou a solicitação após a defesa apresentar um vídeo sugerindo falhas no sistema eletrônico usado pelo hospital para registrar prescrições. A ideia levantada pela defesa é que a médica teria prescrito o medicamento por via oral, e que o sistema, por algum erro, teria alterado para via venosa.

Essa explicação, porém, não convenceu o delegado Marcelo Martins, responsável pela investigação. Em entrevista ao programa CNN Novo Dia, ele afirmou que equipes da polícia já visitaram o Hospital Santa Júlia e tiveram acesso ao sistema de registro. Segundo o delegado, a análise preliminar indica que o argumento sobre falha automática na mudança da via de administração não se sustenta. Mesmo assim, ele destacou que a prova técnica é essencial para tratar o caso com precisão e evitar conclusões precipitadas.

Atualmente, a polícia aguarda o laudo oficial da perícia, que deve examinar detalhadamente todo o funcionamento do sistema do hospital. A expectativa é que o relatório traga clareza sobre o que realmente aconteceu naquele atendimento, especialmente porque a discussão envolve tecnologia, protocolos internos e a responsabilidade individual de profissionais de saúde. O delegado frisou que o objetivo é construir uma investigação sólida, baseada em fatos verificáveis e distantes de interpretações emocionadas.

Paralelamente, o clima em Manaus tem sido de comoção. Moradores organizaram pequenas homenagens, e o assunto tem gerado reflexões sobre a importância de sistemas eficientes e da revisão constante de procedimentos médicos. Em um momento em que hospitais do país inteiro têm investido em digitalização, o caso reacende uma questão muito atual: até que ponto a tecnologia facilita o trabalho diário e onde ela pode introduzir riscos quando não funciona como deveria?

Enquanto o laudo não é concluído, a pergunta que ecoa entre familiares e pessoas que acompanham o caso é a mesma: o que, de fato, levou àquela prescrição final? A resposta, ao que tudo indica, virá apenas quando a perícia encerrar seu trabalho e apresentar, como disse o delegado, uma prova “robusta”, capaz de esclarecer cada ponto que ainda permanece nebuloso.

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