Dono de clube de tiro morre após disparo acidental de arma em casa

A cidade de Irati, no interior do Paraná, amanheceu mais silenciosa nesta terça-feira (10). O motivo foi a morte de Walter Luiz Berger, de 35 anos, instrutor renomado de tiro e proprietário de um clube esportivo bastante conhecido na região. O caso ocorreu na noite de segunda-feira (9/12), no bairro Jardim Virgínia, e abalou não apenas familiares e amigos, mas também atletas e praticantes do tiro esportivo em todo o estado.
Segundo informações da Polícia Civil do Paraná (PCPR), Walter acabou atingido por um disparo acidental enquanto manuseava uma arma em sua própria residência. Ele estava acompanhado da esposa e de um casal de amigos na sala de estar quando decidiu ir até o quarto, onde o incidente ocorreu. Minutos depois, sua mulher ouviu o barulho e correu até o local. Um médico que mora na casa ao lado foi chamado imediatamente e tentou reanimá-lo, mas Walter não resistiu.
A tragédia deixou ainda mais forte o sentimento de incredulidade, já que Walter não era um iniciante no assunto — muito pelo contrário. Ele era instrutor de armamento e tiro, com anos de experiência prática, além de colecionar medalhas no Campeonato Brasileiro de Tiro Tático (CBTT). Pessoas próximas lembram que ele sempre reforçava os cuidados e protocolos de segurança, fosse durante aulas individuais ou nos treinamentos coletivos que liderava no clube.
A PCPR informou que abriu um inquérito para esclarecer a dinâmica exata do ocorrido. A arma envolvida deverá passar por perícia técnica, e imagens das câmeras internas da casa estão sendo analisadas. Até o momento, não há confirmação do modelo ou calibre do equipamento. A corporação reforçou que Walter possuía toda a documentação regularizada e que seu acervo estava dentro das exigências legais.
Nas redes sociais e grupos de praticantes da modalidade, o clima é de enorme consternação. O Clube de Caça e Tiro Double V, do qual Walter era presidente, divulgou uma nota emocionada. No texto, membros do clube destacaram o lado humano do instrutor, descrevendo-o como alguém que estava sempre disposto a receber quem chegava, muitas vezes com aquele sorriso que, segundo os colegas, se tornou uma marca registrada. A publicação ainda relembrou as histórias compartilhadas ao longo dos anos e ressaltou que a memória dele permanecerá viva entre os atletas.
Além da vida profissional, Walter também vivia um momento pessoal especial: havia se tornado pai há apenas um mês. Amigos próximos relatam que ele falava com orgulho e brilho nos olhos sobre o bebê, e que desejava apresentar ao filho, futuramente, o universo do esporte que tanto amava. Com sua partida repentina, a cidade se mobiliza para oferecer suporte à esposa e à família, que agora enfrentam uma dor pesada e inesperada.
Irati, que muitas vezes aparece nas manchetes por eventos esportivos e festas tradicionais, agora se reúne em silêncio. A perda de Walter ecoa entre aqueles que o conheceram como atleta, instrutor, vizinho ou amigo. Em meio ao luto, permanece uma certeza compartilhada por todos: sua dedicação, generosidade e a forma como tratava cada pessoa que chegava ao clube seguirão como legado.



