Identificados mãe e 4 filhos que morreram em colisão após festa

O sábado ainda nem havia clareado totalmente quando uma notícia triste começou a circular em Iporã, no noroeste do Paraná. Em poucas horas, o que era silêncio virou comoção. Uma mãe e seus quatro filhos perderam a vida no retorno para casa, após uma noite de confraternização. O impacto da perda foi imediato, profundo e difícil de assimilar. A cidade acordou mais pesada, como se todos, de alguma forma, tivessem perdido alguém próximo.
O acidente aconteceu por volta das 3h20 da madrugada, na PR-490, no trecho entre Francisco Alves e Altônia. O automóvel da família, um Volkswagen Gol, colidiu de frente com um ônibus que transportava funcionários de uma cooperativa. No carro estavam seis pessoas. Infelizmente, nenhuma delas resistiu. No coletivo, apesar do susto, ninguém ficou ferido.
Entre as vítimas estavam Leudis Oca, de 39 anos, e seus filhos: Jairo, de 21, Harol, de 13, Jaisel, de 8, e Jailet, de apenas 6 anos. O motorista era Manuel Antônio Lascano Betancourt, de 42 anos. Todos eram naturais da Venezuela e viviam no Paraná há alguns anos, trabalhando, estudando e tentando construir uma vida com mais estabilidade. Uma família que, como tantas outras, buscava dignidade longe de sua terra natal.
Segundo informações da Polícia Rodoviária Estadual, o trecho da rodovia é de pista simples, com visibilidade limitada e sinalização considerada frágil. O impacto da colisão foi muito forte. Um dos meninos chegou a ser socorrido com vida, mas infelizmente não resistiu durante o trajeto até o hospital. A notícia da perda completa da família foi ainda mais difícil para todos que aguardavam por algum sinal de esperança.
No domingo, 7 de dezembro, a comunidade se reuniu para o sepultamento. O clima era de silêncio, abraços longos e lágrimas contidas. Moradores de Iporã se mobilizaram não apenas para prestar as últimas homenagens, mas também para apoiar parentes que ficaram. No local do acidente, velas foram acesas, flores foram colocadas, e orações ecoaram em meio à estrada. Um gesto simples, mas carregado de significado.
Entre os moradores, muitos relatavam conhecer a família, ao menos de vista. Crianças que brincavam na rua, jovens que frequentavam a escola, uma mãe sempre presente. Histórias comuns, como as de tantas famílias brasileiras e imigrantes que tentam, dia após dia, viver com honestidade e esforço.
O episódio também reacendeu um debate antigo: a segurança nas rodovias estaduais. Principalmente em fins de semana e após eventos, o fluxo de veículos aumenta consideravelmente. Especialistas reforçam que fiscalização, sinalização adequada e prudência ao volante são fatores decisivos para evitar novas tragédias.
Mais do que números em relatórios oficiais, o que ficou em Iporã foram nomes, rostos e sonhos interrompidos. Cada uma dessas vidas representava um futuro em construção. A história dessa família lembra, de forma dolorosa, que toda viagem exige atenção, cuidado e responsabilidade.
A cidade segue em luto. Mas também em união. Porque, diante de uma dor tão grande, o que resta é a tentativa de acolher, amparar e transformar a tristeza em um apelo por mais cuidado nas estradas — para que outras famílias não tenham seus caminhos interrompidos de forma tão precoce.



