Empresário Fabrício Brasil Lourenço, de 49 anos é encontrado morto

Novos desdobramentos vieram à tona nesta sexta-feira, dia 5 de dezembro, sobre o caso que abalou Goiânia no segundo semestre deste ano. Após a prisão de quatro suspeitos, incluindo dois sargentos da Polícia Militar, imagens de câmeras de segurança passaram a mostrar, pela primeira vez, como teria funcionado a logística por trás da morte do empresário Fabrício Brasil Lourenço, de 49 anos. As gravações foram divulgadas pela TV Anhanguera, que teve acesso a parte do material reunido pelos investigadores.
Os vídeos mostram a movimentação de um grupo em uma chácara localizada no Setor Santa Genoveva, que teria sido usada como ponto de encontro antes do ocorrido. Em uma das imagens, aparece a chegada do segurança Cleyton Souza Lima ao local. Horas depois, entram na propriedade uma motocicleta, supostamente conduzida pelo sargento Leneker Breno Campos, e um carro dirigido pelo sargento Tiago Lemes de Oliveira. A sequência das imagens ajudou a Polícia Civil a montar, com mais precisão, a linha do tempo daquele dia.
Menos de uma hora após essa reunião, Fabrício foi abordado no Bairro Feliz, onde acabou sendo alvejado. A partir desse momento, segundo as investigações, os envolvidos teriam se deslocado para uma área de mata, onde aguardaram o resgate. Esse apoio teria sido feito por uma caminhonete dirigida pelo ex-militar José Antônio Moreira, que também teria transportado a motocicleta utilizada, coberta por uma lona.
O caso ganhou ainda mais repercussão porque envolve nomes ligados à corporação militar. A defesa do sargento Leneker afirmou, em nota, que a prisão do cliente seria um “lamentável erro” e destacou que confia na Justiça para esclarecer os fatos. Já a Polícia Militar informou que a Corregedoria acompanhou o cumprimento dos mandados e reforçou que a instituição segue rigorosamente todas as determinações legais.
Nos bastidores, o que mais chama atenção é a possível motivação. A principal linha de investigação trabalha com a hipótese de vingança. Fabrício havia sido investigado e condenado em primeira instância por um crime grave envolvendo uma parente do coronel da PM Alessandro Regys. No entanto, após recorrer da decisão, ele acabou sendo absolvido. Mesmo assim, a Polícia apura se esse episódio teria relação direta com o que aconteceu meses depois.
O próprio coronel prestou depoimento e negou qualquer participação. Em declaração, foi direto: “Nunca ameacei nada”. Apesar disso, ele segue sendo investigado como possível mandante, justamente pela ligação familiar com o caso anterior. Por enquanto, a Justiça manteve as prisões temporárias dos quatro suspeitos: os dois sargentos, o ex-militar e o segurança.
Nas ruas e nas redes sociais, o assunto continua rendendo debates. Muita gente cobra respostas rápidas, enquanto outros pedem cautela para que ninguém seja condenado antes da conclusão das investigações. Em um momento em que se discute tanto a atuação das instituições e a transparência das apurações no Brasil, o caso se tornou símbolo dessa cobrança por justiça.
A Polícia Civil informou que as investigações seguem em ritmo acelerado e que novas diligências estão sendo feitas para esclarecer o papel de cada um dos envolvidos. Outros detalhes devem ser apresentados em breve, conforme a análise das imagens, depoimentos e cruzamento de informações avança.
Enquanto isso, a família de Fabrício, assim como a população de Goiânia, aguarda respostas. O caso, que começou como mais um registro policial, agora ganha contornos mais complexos a cada nova informação divulgada.



