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Bolsonaro escolhe Flávio para 2026 e adia sonho presidencial de Tarcísio de Freitas

A direita brasileira acordou nesta quinta-feira com uma bomba política que ninguém esperava soltar tão cedo: Jair Bolsonaro, mesmo preso e inelegível, bateu o martelo e escolheu o filho Flávio como seu candidato à Presidência da República em 2026. A decisão, tomada nos últimos dias, foi comunicada pessoalmente pelo próprio senador ao governador Tarcísio de Freitas em dois encontros consecutivos, um na quinta e outro nesta sexta-feira. O recado foi cristalino: o projeto nacional de Tarcísio, que vinha sendo tratado como herança natural do bolsonarismo, estava oficialmente adiado.

Quem acompanhava os bastidores sabia que a disputa interna entre Flávio e Tarcísio vinha crescendo há meses. Pesquisas internas do PL mostravam o governador de São Paulo na frente, com rejeição bem menor e capacidade de atrair o eleitorado de centro que fugiu do bolsonarismo radical depois de 2022. Flávio, por outro lado, carregava o peso do sobrenome, da lealdade absoluta ao pai e do controle que já exerce sobre boa parte da máquina partidária no Rio de Janeiro e em outros estados. Bolsonaro optou pelo coração e pela lógica familiar em vez da razão eleitoral.

Tarcísio recebeu a notícia com educação, mas o impacto foi imediato. Todo o planejamento que sua equipe vinha montando desde o segundo semestre – viagens pelo Nordeste, aproximação com evangélicos moderados, acenos ao mercado – teve que ser redirecionado para a reeleição em São Paulo. Aliados do governador admitiram em privado que a sensação foi de um balde de água fria: o sonho presidencial, que parecia ao alcance da mão, evaporou em 48 horas por decisão de um homem que assiste à política pela televisão da cadeia.

O mercado financeiro reagiu exatamente como se esperava. O dólar abriu em alta, o Ibovespa caiu nos primeiros negócios e mensagens de WhatsApp de operadores em São Paulo resumiam o sentimento: “Acabou a esperança de um nome técnico em 2026”. Tarcísio era visto como o único capaz de manter o bolsonarismo competitivo sem assustar o andar de cima. Com Flávio na jogada, o cenário volta a ser polarização pura, com Lula ou seu sucessor de um lado e o herdeiro direto do bolsonarismo do outro.

Dentro do próprio PL a escolha também rachou o partido. Governadores como Cláudio Castro e Romeu Zema receberam a notícia com apoio formal, mas deputados e prefeitos que apostavam em Tarcísio já começaram a fazer contas para 2026 pensando em voos solo ou acordos regionais. A base bolsonarista radical, aquela que lota CPACs e grita “mito” em frente aos quartéis, celebrou a volta do “DNA da família”. Já o eleitor mais pragmático, aquele que votou em Tarcísio em 2022 mas rejeita o estilo Flávio Bolsonaro, sente que foi traído duas vezes: primeiro pelo sistema que prendeu seu líder, depois pelo líder que escolheu o filho em vez do melhor nome.

Flávio, por sua vez, já começou a se movimentar como candidato. Agenda cheia no interior, discursos mais duros contra o STF, acenos ao agronegócio e promessas de “continuidade com correção de rumos”. Sabe que tem dois anos para reduzir a rejeição e transformar o sobrenome de fardo em ativo. A estratégia é simples: ser o Bolsonaro que fala bonito, que domina o Congresso e que não carrega o estigma das lives de quinta-feira.

O Brasil de 2026, portanto, caminha para uma eleição que ninguém queria repetir: Lula ou seu poste contra um Bolsonaro de novo. Tarcísio, que poderia ter sido o ponto fora da curva, volta para casa mais forte em São Paulo, mas com o sonho nacional guardado na gaveta até 2030. E o bolsonarismo, fiel à sua essência, escolheu a família em vez da vitória – uma decisão que pode custar caro, mas que, para eles, vale mais que qualquer pesquisa.

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