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Greve dos caminhoneiros de 4 de dezembro termina em fracasso total e não afeta rodovias do país

A tentativa de greve nacional dos caminhoneiros anunciada para 4 de dezembro de 2025 terminou antes mesmo de começar. Convocada por um pequeno grupo de lideranças autoproclamadas, a paralisação prometia repetir o caos de 2018, mas encontrou rodovias vazias, silêncio nas bases e rejeição quase unânime das entidades que realmente representam a categoria. O que se viu foi um movimento natimorto, incapaz de mobilizar sequer uma fração significativa dos mais de 800 mil caminhoneiros autônomos que circulam pelo país.

Desde a madrugada, a Polícia Rodoviária Federal monitorava as principais vias e não registrou um único ponto de bloqueio ou concentração relevante. O trânsito fluiu normalmente em todos os estados, dos portos de Santos e Paranaguá às fronteiras do Rio Grande do Sul e Mato Grosso. A ausência de caminhões parados nas margens, de pneus queimados ou de qualquer aglomeração tornou evidente que o chamado feito em lives e grupos de WhatsApp não saiu do mundo virtual.

A principal causa do fiasco foi a falta de legitimidade. Diferentemente de 2018, quando a paralisação surgiu espontaneamente a partir de uma insatisfação generalizada com o preço do diesel, desta vez a convocação partiu de figuras isoladas, muitas delas mais conhecidas por posicionamentos políticos do que por atuação sindical. As grandes confederações, federações e sindicatos regionais não apenas se omitiram, mas emitiram notas públicas repudiando a greve e recomendando que os motoristas seguissem trabalhando.

A pauta apresentada também contribuiu para o esvaziamento. Além das tradicionais reivindicações econômicas, como tabela mínima de frete e aposentadoria especial, o movimento incorporou abertamente demandas políticas, entre elas a anistia a condenados pelos atos de 8 de janeiro e críticas diretas ao governo federal. Essa mistura afastou caminhoneiros que, apesar de insatisfeitos com a situação atual, não quiseram transformar suas carretas em palanque eleitoral.

O episódio expôs, mais uma vez, a fragmentação da categoria. Não existe uma liderança única capaz de falar por todos os autônomos, e as tentativas de usar a força da paralisação como moeda de troca política têm se mostrado cada vez menos eficazes. Caminhoneiros relatam nos postos e nas estradas que preferem pressionar por mudanças concretas no Congresso e nos órgãos reguladores do que arriscar multas, perda de contratos e prejuízo financeiro em um movimento sem apoio.

O governo, que montou gabinete de crise e preparou forças de segurança, acabou não precisando agir. A normalidade no abastecimento de combustíveis, alimentos e insumos industriais foi mantida sem qualquer sobressalto. Para o Palácio do Planalto, o fracasso da greve representa alívio imediato e, indiretamente, um recado de que paralisações com viés partidário dificilmente repetirão o impacto do passado.

Findo o dia, resta a certeza de que o poder de fogo dos caminhoneiros continua existindo, mas só se manifesta quando a insatisfação é ampla, orgânica e apartidária. Enquanto as lideranças insistirem em transformar uma luta trabalhista em batalha ideológica, o resultado tenderá a ser o mesmo: rodovias livres, cargas circulando e um movimento que termina antes mesmo de ser notado pela maioria dos brasileiros.

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