Filhos de Bolsonaro se revoltam, após Michelle dizer que ex-presidente precisa provar ser “imbrochável”

Nos bastidores da política brasileira, todo mundo sabe que há dias tranquilos — e há os dias em que uma simples reunião vira manchete. Foi exatamente o que aconteceu no encontro interno do PL na última terça-feira (25/11), quando uma conversa aparentemente despretensiosa acabou acendendo um pavio já bem curto entre Michelle Bolsonaro e os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo relatos de participantes do encontro, Michelle, que tem assumido um papel cada vez mais visível dentro do partido, comentou que havia preparado milho cozido para o marido, preso em Brasília, e, num tom carinhoso e até descontraído, chamou Bolsonaro de “meu galo”. Em seguida, fez uma referência às conhecidas medalhas dos “3 is” — aquelas que o ex-presidente distribuía em tom bem-humorado aos aliados — dizendo que ele precisava provar que continuava “imbrochável”.
A brincadeira, que talvez funcionasse num ambiente mais íntimo, provocou uma reação imediata de Flávio Bolsonaro. Ele pediu a palavra de forma firme, chamando atenção para o risco de haver gravações da reunião. Segundo ele, a simples circulação de um áudio com esse tipo de comentário poderia gerar interpretações desfavoráveis. Flávio ainda reforçou que todas as decisões estratégicas deveriam partir diretamente do pai — mesmo com a ausência física dele.
Esse episódio, que já bastaria para animar um dia típico de quem acompanha política, aconteceu justamente quando o senador resolveu se apresentar à imprensa como porta-voz do pai. Detalhe: sem combinar com Michelle, o que ampliou a percepção de tensão interna.
A disputa, no entanto, não se limita à comunicação. Há também um embate silencioso — embora cada vez menos silencioso, convenhamos — pela indicação ao Senado por Santa Catarina. De um lado, Jair Bolsonaro teria manifestado preferência pelo vereador Carlos Bolsonaro. Do outro, Michelle defende o nome de Caroline de Toni, que vem ganhando apoio entre aliados próximos da ex-primeira-dama. O clima é de divisão real, ainda que todos tentem manter uma aparência de normalidade.
E se faltava algo para esse nó político apertar ainda mais, veio o episódio no Ceará. Durante o lançamento da pré-candidatura de Eduardo Girão (Novo), Michelle fez críticas diretas à articulação do PL local — em especial à aproximação com Ciro Gomes, movimento conduzido pelo deputado André Fernandes. A frase dela repercutiu de imediato: não era só uma crítica pontual, mas um recado público contra uma aliança vista como incoerente por ela e parte da ala bolsonarista mais tradicional.
Os filhos de Bolsonaro consideraram que Michelle desrespeitou uma orientação atribuída ao pai, e a reação veio em bloco. Flávio declarou ao Metrópoles que ela teria “atropelado o próprio presidente Bolsonaro” e agido de forma “autoritária e constrangedora”. Eduardo e Carlos reforçaram o discurso nas redes sociais, pedindo alinhamento e lembrando que a liderança do pai deveria ser preservada.
No fim das contas, o que se observa é um jogo de forças que se tornou mais visível justamente porque a figura central — Jair Bolsonaro — não está presente para arbitrar. E quando a ausência pesa, cada gesto, cada frase e até uma brincadeira sobre milho cozido acabam virando mais um capítulo de uma disputa que parece longe de terminar.



