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Empresário Pedro Ganança e filho são encontrados mortos

O nome de Theo Ganança, jovem de 23 anos, vem sendo lembrado nos últimos dias com uma mistura de carinho e incredulidade. Carioca, torcedor apaixonado do Vasco e quase sempre visto com a camiseta do time, ele tinha aquele perfil que acaba marcando pequenas comunidades: educado, tranquilo, engraçado na medida certa. Era o tipo de pessoa que deixa boas memórias mesmo em quem o conheceu por pouco tempo.

Theo trabalhava no restaurante da família desde a inauguração. Quem convivia com ele diariamente costuma dizer que ele tinha uma habilidade natural para evitar conflitos, apaziguar ânimos e manter a equipe alinhada. Talvez por isso, muitos colegas tenham comentado ao jornal Público Brasil que ele se esforçava para ser a ponte entre o pai, Pedro, e o sócio José, cujas discussões se tornaram cada vez mais frequentes nos últimos meses.

O restaurante, chamado Apeadeiro de Sarilhos, ficava em uma região tranquila e vinha conquistando clientes tanto locais quanto brasileiros que moram em Portugal. Era comum ver Theo circulando pelo salão, sempre atencioso, cumprimentando clientes habituais e ajudando quem estava começando na equipe. Ele transmitia a sensação de que tudo ficaria bem, mesmo em dias mais tensos — e isso não é pouca coisa no ambiente acelerado da gastronomia.

Mas, na noite de 16 de novembro, a rotina mudou drasticamente. Segundo a Polícia Judiciária portuguesa, José Augusto — que dividia a sociedade com Pedro — já vinha demonstrando insatisfação com o negócio. Testemunhas contaram que ele acreditava estar sendo prejudicado financeiramente e que chegou ao restaurante visivelmente alterado naquele dia.

Funcionários ouvidos sob anonimato pelo Público relataram que, ao longo do ano, José acumulou episódios de comportamento agressivo e até falas desagradáveis direcionadas a colegas brasileiros e angolanos. Uma funcionária chegou a dizer que o sócio enfrentava dificuldades relacionadas ao consumo de álcool, o que agravava situações de conflito.

Naquela noite, depois de mais uma discussão tensa, o clima saiu totalmente do controle. De acordo com relatos, José sacou uma arma — momento em que todo o ambiente se transformou em segundos. Ele disparou contra Pedro e, logo em seguida, Theo acabou atingido também. Funcionários disseram que o jovem tentou se colocar à frente do pai no momento do ataque, em um instinto de proteção que definiu seus últimos momentos.

Os dois entraram em parada cardiorrespiratória e, mesmo sendo socorridos rapidamente, não resistiram. A notícia percorreu plataformas digitais, grupos de brasileiros em Portugal e até perfis esportivos do Vasco, que prestaram homenagens ao jovem torcedor.

A sociedade local, ainda abalada, tenta buscar respostas e entender como uma relação profissional deteriorada ao longo do tempo culminou em algo tão grave. Ao mesmo tempo, aqueles que conviviam com Theo preferem lembrar do sorriso fácil, das brincadeiras sobre futebol e da calma que ele sempre tentou levar para todos ao redor.

É uma história que deixa lições duras, mas também recordações de um jovem que fazia questão de somar — e é isso que muitos querem preservar.

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