Novelas

Júnior transforma sua dor em coragem e muda o rumo em Três Graças

Júnior, depois de tantos dias sendo tratado como um culpado sem qualquer comprovação, chega ao limite de sua paciência e dignidade. A descoberta da gravura de Kasper escondida em sua mochila o expõe à humilhação diante de todos, abalando de vez sua confiança nas pessoas ao redor. Ele não suporta mais ser alvo de desconfiança constante, principalmente sabendo que nada fez para merecer tamanha injustiça. A revolta cresce dentro dele, mas é justamente essa dor que o empurra para uma transformação profunda, levando-o a enxergar que talvez seja hora de abandonar a postura passiva e assumir um papel ativo na própria história.

É movido por esse sentimento que o rapaz decide procurar Gerluce, cuja ousadia sempre o deixou dividido entre o medo e a admiração. A cuidadora se surpreende com a visita inesperada, imaginando que Júnior estivesse ali para desabafar ou pedir explicações. No entanto, ele é direto ao revelar que finalmente compreendeu a dimensão do que está em jogo. A acusação injusta funcionou como um estopim que abriu seus olhos para a realidade dura que a comunidade da Chacrinha enfrenta, constantemente silenciada e tratada como invisível pelos poderosos, como Ferette. Esse novo entendimento o leva a repensar o roubo da estátua não como crime, mas como um ato de resistência.

Gerluce percebe imediatamente que algo mudou no olhar do jovem. Ele não está mais assustado ou inseguro; está decidido. Ao admitir que agora vê o plano de outro jeito, Júnior demonstra que deseja mais do que se vingar da humilhação sofrida. Ele quer provar que os moradores da Chacrinha merecem respeito, que suas necessidades são reais e urgentes, e que ninguém mais poderá ignorá-los. A estátua As Três Graças, guardada no casarão de Arminda, passa a simbolizar essa luta. Quando pergunta o nome da obra, o rapaz ouve de Gerluce uma explicação carregada de sentimento: a peça representa, para ela, sua própria família, três mulheres das Graças tentando sobreviver em meio ao abandono.

Essa revelação cria um laço ainda mais forte entre os dois. Ao entender o significado afetivo da obra, Júnior se sente parte de algo maior, um movimento que vai além de qualquer impulso inconsequente. O pacto entre eles se sela ali, silencioso, mas firme. A decisão de participar do plano não nasce da adrenalina ou do desejo de desafiar a lei; nasce do desejo de proteger uma comunidade inteira que vive à sombra do descaso. Essa causa, antes distante, agora pulsa dentro dele como uma missão pessoal.

Gerluce, então, passa a primeira tarefa para Júnior: pesquisar tudo sobre a estátua. Não é simples entusiasmo; é preparação. Ele precisa saber seu peso, altura e valor de mercado, informações cruciais para calcular quanto poderão arrecadar com a venda clandestina. Cada dado será importante para transformar a ousadia em estratégia. A meta é clara: comprar medicamentos de verdade para quem precisa, rompendo com a dependência dos remédios falsificados que Ferette empurra para os moradores com total desprezo. Pela primeira vez, Júnior sente que está contribuindo para algo concreto.

Com essa responsabilidade nas mãos, ele deixa a casa de Gerluce sentindo-se diferente. A dor da injustiça ainda existe, mas agora está canalizada em um propósito que dá sentido a tudo que viveu. Pela primeira vez em muito tempo, ele não se vê como vítima, mas como alguém capaz de mudar o rumo dos acontecimentos. E, enquanto caminha de volta para a Chacrinha, percebe que sua vida acaba de entrar em um novo capítulo — um capítulo onde ele não será apenas espectador, mas protagonista de sua própria luta.

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