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Prisão de Bolsonaro: como funciona a arma antidrone usada pela PF para proteger a superintendência em Brasília

A manhã de 22 de novembro de 2025 marcou um dos capítulos mais tensos da recente história política brasileira com a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes e executada pela Polícia Federal na Superintendência Regional em Brasília. Horas após a chegada do ex-mandatário ao prédio, fotógrafos registraram o desembarque de uma viatura descaracterizada trazendo um equipamento até então pouco conhecido do grande público: a arma antidrone DroneGun Tactical, um rifle portátil capaz de neutralizar drones a até dois quilômetros de distância. A presença do dispositivo não foi casual; tratou-se de resposta imediata a riscos reais e potenciais de monitoramento aéreo não autorizado sobre a área de custódia.

O contexto de segurança em torno da detenção exigia medidas extraordinárias. Desde a decretação da prisão, perfis bolsonaristas nas redes sociais convocaram caravanas e vigílias em frente à superintendência, enquanto grupos radicais discutiam abertamente a possibilidade de sobrevoar o local com drones para transmitir imagens ao vivo ou até mesmo tentar entregas clandestinas. A experiência da Polícia Federal em eventos anteriores, como a posse presidencial de 2023 e a COP30 em Belém, já havia demonstrado que drones comerciais são baratos, discretos e difíceis de rastrear, tornando-os uma ameaça concreta em situações de alta sensibilidade.

A DroneGun Tactical, fabricada pela australiana DroneShield e homologada pela Anatel desde 2021, opera por meio de um princípio relativamente simples, porém extremamente eficaz: o jamming direcionado. Ao ser apontada para o alvo, a arma emite feixes concentrados de radiofrequência nas principais bandas utilizadas pelos drones – 2,4 GHz, 5,8 GHz e sinais GNSS – interrompendo simultaneamente o controle remoto e o posicionamento por satélite. Sem essas referências, o aparelho perde a capacidade de manter voo estável e entra automaticamente em modo de segurança.

O comportamento do drone após o ataque depende do modelo e do firmware instalado. Nos casos mais comuns, como os populares DJI, o equipamento tenta retornar ao ponto de decolagem (Return to Home), revelando involuntariamente a posição do operador. Em outros casos, especialmente quando o sinal GPS é totalmente perdido, o drone realiza um pouso vertical controlado no local onde se encontra. Essa característica torna a DroneGun uma ferramenta não letal que preserva provas e evita quedas descontroladas que poderiam ferir pessoas ou danificar instalações.

Pesando cerca de sete quilos e com formato semelhante ao de um fuzil, o dispositivo pode ser operado por um único policial treinado. Sua bateria permite até duas horas de uso contínuo, suficiente para cobrir turnos inteiros de vigilância. Diferentemente dos jammers omnidirecionais tradicionais, que criam bolhas de interferência ampla e podem afetar comunicações civis próximas, a DroneGun é altamente direcional, reduzindo drasticamente os efeitos colaterais e permitindo seu emprego em áreas urbanas densas como o setor de autarquias sul de Brasília.

A aquisição desse tipo de tecnologia pela Polícia Federal reflete uma tendência mundial de modernização do aparato de segurança pública diante do barateamento e da popularização dos drones. Países como Estados Unidos, França e Israel já utilizam equipamentos similares em proteção de líderes políticos, presídios e eventos de massa. No Brasil, o investimento ganhou impulso após episódios como a tentativa de entrega de celulares e chips em penitenciárias por meio de drones e, mais recentemente, o uso de aparelhos para filmagem ilegal durante operações policiais.

A imagem do agente da PF carregando a DroneGun Tactical para dentro da superintendência, portanto, transcende o simbolismo tecnológico. Representa o novo patamar de precaução adotado pelo Estado brasileiro quando o assunto é a custódia de figuras de relevo nacional em um ambiente marcado por polarização extrema. Enquanto Bolsonaro permanece detido em sala especial à espera de decisões judiciais futuras, o céu sobre Brasília ganhou, naquele fim de semana, uma vigilância invisível tão rigorosa quanto a que cerca os muros da própria superintendência.

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