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Advogado de Trump revela como Trump viu prisão de Bolsonaro e diz que foi insulto

A manhã deste sábado (22) começou movimentada no noticiário político brasileiro. A prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, rapidamente repercutiu dentro e fora do país. Entre as vozes mais enfáticas, uma chamou a atenção: a do advogado norte-americano Martin De Luca, conhecido por atuar para a Trump Media e também para a plataforma Rumble nos Estados Unidos. A fala dele, divulgada inicialmente pelo portal Metrópoles, mexeu com o debate.

De Luca não economizou críticas. Para ele, a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal passou do ponto ao mencionar a proximidade da residência de Bolsonaro com a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília. Segundo o advogado, essa justificativa seria um “insulto” ao ex-presidente Donald Trump e ao senador Marco Rubio. A declaração soa forte, especialmente porque envolve figuras de peso na política norte-americana, ainda que em tom mais diplomático do que confrontativo.

O advogado argumentou que Moraes sugeriu a possibilidade de Bolsonaro buscar abrigo na embaixada, algo que, na visão dele, não faz sentido. De Luca lembrou que os Estados Unidos mantêm relações formais e transparentes com o governo brasileiro e não se envolveriam em qualquer atitude que pudesse soar como intervenção. Ele mencionou ainda que o próprio governo norte-americano já manifestou discordância em outros momentos sobre ações que considerou excessivas de autoridades brasileiras — sem entrar em polêmicas, apenas citando episódios amplamente divulgados pela imprensa.

“É difícil imaginar um insulto mais gratuito”, disse De Luca, em referência a Trump e Rubio. Ele destacou que a legislação brasileira exige elementos concretos para justificar uma prisão preventiva: risco real de fuga, evidências de tentativa de interferência em investigações ou situações que demonstrariam que medidas alternativas não seriam suficientes. Na avaliação dele, nenhum desses pontos foi apresentado de forma clara.

O tom de De Luca ao longo da declaração variou entre crítica jurídica e incredulidade. Em outro trecho, ele comentou que a decisão seria “tão frágil que beira a sátira”. Um comentário que, embora carregado de retórica, deixa evidente o desconforto de setores conservadores dos Estados Unidos com o episódio. Vale lembrar que, nos últimos meses, o cenário internacional tem observado com lupa os desdobramentos políticos no Brasil, especialmente após mudanças recentes nas relações comerciais entre os dois países.

Aliás, esse foi outro ponto mencionado por De Luca. Ele ressaltou que a decisão de Moraes aconteceu apenas um dia depois de os Estados Unidos anunciarem a flexibilização de parte das tarifas aplicadas a produtos brasileiros — um gesto interpretado como sinal positivo nas negociações bilaterais. Esse detalhe deu ainda mais força à crítica sobre o “timing” da medida.

Apesar das reações, a situação ainda segue em análise e o tema deve render novas discussões ao longo da semana. O clima é de atenção redobrada, tanto no Brasil quanto no exterior. Para quem acompanha política internacional, é mais um capítulo dessa relação complexa e cheia de nuances entre Brasília e Washington. E, por aqui, seguimos observando cada movimento, tentando entender o impacto real de decisões que, mesmo tomadas dentro do Judiciário, ecoam muito além dos tribunais.

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