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Prisão de Bolsonaro: Lula é informado por telefone da PF durante cúpula do G20 na África do Sul

A manhã de 22 de novembro de 2025 começou com um estrondo político que poucos imaginavam ver tão cedo. Jair Bolsonaro, ex-presidente da República, foi preso preventivamente em Brasília após tentar violar a tornozeleira eletrônica que usava em regime de prisão domiciliar. A ordem partiu do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e foi cumprida sem incidentes pela Polícia Federal. O Brasil, mais uma vez, acordava dividido entre o espanto e a sensação de déjà-vu.

No mesmo instante, a milhares de quilômetros dali, em Joanesburgo, na África do Sul, Luiz Inácio Lula da Silva participava da cúpula do G20. O presidente estava em uma agenda intensa de reuniões bilaterais quando seu celular tocou. Do outro lado da linha, a voz calma do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A conversa foi curta, objetiva: a prisão havia sido executada, os motivos eram claros, o monitoramento eletrônico tinha registrado a tentativa de violação. Lula ouviu em silêncio, pediu apenas que tudo seguisse dentro da lei e desligou.

O presidente não esboçou reação imediata. Aos poucos, porém, compartilhou a informação com alguns dos assessores mais próximos que o acompanhavam na África do Sul. Celso Amorim, seu conselheiro especial, foi um dos primeiros a saber. Não houve comemoração, tampouco surpresa exagerada. Era mais um capítulo de uma história que ambos já conheciam bem, mas que, desta vez, tomava contornos irreversíveis.

No Brasil, a notícia se espalhou como fogo em palha seca. Manifestantes bolsonaristas começaram a se reunir em frente a quartéis e nas rodovias federais, enquanto apoiadores do governo celebravam o que chamavam de “fim da impunidade”. Nas redes sociais, o nome de Bolsonaro voltou ao topo dos assuntos mais comentados, dividido entre quem via a prisão como justiça tardia e quem gritava “perseguição política”. O país, outra vez, parecia falar línguas diferentes.

Do lado institucional, o silêncio foi quase total. O Planalto não emitiu nota oficial, o STF limitou-se a confirmar o cumprimento da ordem judicial, e o Congresso, ainda atordoado, preferiu observar antes de se posicionar. Apenas o presidente da Câmara, Hugo Motta, fez um breve pronunciamento pedindo serenidade e respeito às instituições — palavras que, naquele momento, soaram vagas para quase todos.

Em Joanesburgo, Lula seguiu sua agenda como se nada tivesse acontecido. Cumprimentou líderes, posou para fotos, discursou sobre fome e mudanças climáticas. Mas quem o conhece bem percebeu o leve sorriso de canto de boca quando alguém perguntou, em off, sobre o Brasil. “A lei vale para todos”, respondeu, seco. Era tudo o que diria publicamente sobre o assunto.

A prisão de Bolsonaro, comunicada por um telefonema transatlântico, marcou o ponto mais alto — ou mais baixo, dependendo do ponto de vista — de uma rivalidade que atravessou duas eleições, uma pandemia e uma tentativa de golpe. Para alguns, foi o fim de um ciclo. Para outros, apenas o começo de um novo. O certo é que, naquela sexta-feira de novembro, o Brasil acordou sabendo que sua história recente jamais seria a mesma.

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