É com muito pesar que comunicamos a morte da querida professora Penha Alencar

O universo da educação pública cearense amanheceu mais silencioso nesta sexta-feira com a notícia da despedida de Penha Alencar, uma das vozes mais ativas na defesa dos direitos dos educadores. Conhecida por sua atuação firme e dedicada, Penha construiu ao longo de décadas uma trajetória marcada pelo compromisso com a escola pública, pela escuta sensível às demandas da categoria e pelo empenho em fortalecer o movimento sindical no Ceará. A nota divulgada pelo Sindicato Apeoc resumiu com precisão o sentimento coletivo: sua ausência deixa um grande espaço a ser preenchido, ao mesmo tempo em que seu legado permanece vivo entre colegas, estudantes e profissionais que compartilharam de sua trajetória.
O velório, realizado na manhã desta sexta-feira em uma funerária localizada na rua Padre Valdevino, em Fortaleza, reuniu familiares, amigos, educadores e representantes de diversas entidades sindicais. Em uma atmosfera de respeito e homenagens, muitas pessoas relembraram momentos que marcaram o convívio com Penha, ressaltando sua capacidade de unir, dialogar e construir consensos. O sepultamento está marcado para as 16h30, no Cemitério Jardim Metropolitano, onde novas despedidas devem reunir ainda mais pessoas que reconhecem sua importância para o desenvolvimento da educação pública no Estado.
Formada em Filosofia pela Universidade Estadual do Ceará (Uece), Penha ingressou na Rede Pública Municipal de Fortaleza em 1984, ano que marcou também sua filiação ao Sindicato Apeoc. Desde o início, revelou um forte senso de responsabilidade com a profissão e com o coletivo, abrindo caminhos para uma participação cada vez mais ativa no movimento sindical. Sua atuação rápida e consistente demonstrava o compromisso que viria a acompanhá-la por toda a carreira, representando sempre uma busca contínua por valorização, formação e melhores condições de trabalho para os educadores.
Em 1986, Penha ampliou seu alcance ao assumir a representação do Sindicato Apeoc na então Confederação dos Professores do Brasil (CPB), atual Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Nesse espaço, passou a defender as pautas dos profissionais do Ceará em âmbito nacional, levando para todo o país discussões sobre políticas públicas, financiamento da educação e fortalecimento da escola pública. Sua presença nesses debates contribuía para dar visibilidade às realidades vivenciadas pelos educadores cearenses, consolidando sua imagem como uma liderança preparada e comprometida.
Ao longo dos anos, Penha ocupou diferentes funções dentro do Sindicato Apeoc, chegando à presidência da entidade. Nesse período, tornou-se uma referência política e educacional no Estado, atuando na construção de diálogos com gestores, parlamentares e instituições ligadas ao ensino. Sua liderança se destacava pela combinação de firmeza e serenidade, características que lhe permitiam, ao mesmo tempo, mobilizar a categoria e estabelecer pontes com diferentes setores da sociedade. Colegas de profissão afirmam que sua capacidade de articulação foi essencial para importantes conquistas da educação pública no Ceará.
Mesmo após deixar cargos diretivos, Penha manteve forte influência no cenário educacional, sendo frequentemente convidada a acompanhar debates, participar de assembleias e contribuir com formações e discussões internas. Seu nome se tornou sinônimo de confiança e dedicação, e sua trajetória inspira tanto novos profissionais quanto aqueles que já atuam há décadas no ensino público. Em cada espaço que ocupava, reforçava a importância da união da categoria e da defesa de uma escola pública gratuita, acessível e de qualidade para todos.
A despedida de Penha Alencar deixa uma mistura de saudade e gratidão. Para muitos, ela não foi apenas uma líder sindical, mas também uma mentora, uma conselheira e uma presença acolhedora nos momentos mais decisivos. Seu legado simbólico e prático continuará influenciando gerações de educadores, que encontram em sua história um exemplo de coragem, ética e compromisso social. Enquanto a educação pública segue enfrentando desafios, a memória de sua contribuição permanece como uma inspiração para aqueles que acreditam no poder transformador da escola e na força coletiva da categoria.



