Mãe, filha e filho são velados juntos após tragédia familiar em Criciúma (SC)

Uma cena que mistura dor, perdão e incredulidade tomou conta do bairro Vila São José, em Criciúma, nesta sexta-feira (21). Em um único caixão exposto no salão paroquial, estavam lado a lado os corpos de Rita de Cássia da Silva Silveira, 59 anos, da filha Talia da Silva Silveira, 28 anos, e do filho Kelvin da Silva Silveira, 33 anos – autor confesso do crime que tirou a vida das duas mulheres na manhã de ontem.
Tudo começou por volta das 7h30 de quinta-feira, quando vizinhos ouviram pedidos de socorro e viram uma criança de apenas 3 anos correndo descalça pela rua. Era a filha mais nova de Talia. Com voz trêmula, a menina repetia: “O tio está m@tando a vovó e a mamãe”. A pequena havia escapado da casa após ter uma arma apontada para a cabeça, um detalhe que só aumentou o choque da comunidade.
Minutos depois, a Polícia Militar chegou ao local e encontrou Rita e Talia já sem vida dentro da residência. As duas foram atingidas por golpes de faca em cômodos diferentes da casa. No porão, os policiais localizaram uma cova recém-cavada, evidência de que o autor pretendia ocultar os corpos. Kelvin, segundo relatos, apresentava sinais claros de surto e consumo de substâncias ilícitas.
Ao perceber a presença da PM, o homem de 33 anos saiu armado pela porta da casa, fez ameaças aos vizinhos e apontou a espingarda para os policiais. Após tentativas frustradas de negociação, houve confronto e Kelvin acabou atingido. Ele foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital.
A família, mesmo diante da tragédia que partiu de dentro de casa, tomou uma decisão que emocionou a cidade inteira. Inspirados pela fé cristã e pelo desejo de não carregar ódio, parentes decidiram realizar um único velório para os três. “Jesus mandou perdoar setenta vezes sete. A gente escolheu perdoar”, explicou uma tia das vítimas, com lágrimas nos olhos, ao lado do caixão triplo.
Centenas de pessoas passaram pelo salão durante todo o dia. Muitos não conseguiam acreditar que, menos de 24 horas após o crime, mãe, filha e filho estavam sendo velados juntos. Talia deixa outros dois filhos, de 8 e 10 anos, que agora ficam órfãos de mãe e sem o tio que convivia diariamente com eles. A guarda das crianças será definida nos próximos dias pela Justiça e pelo Conselho Tutelar.
Este caso reacende o debate sobre saúde mental, dependência química e os sinais que muitas vezes são ignorados dentro das próprias famílias. Amigos contam que Kelvin já apresentava comportamento alterado há meses e que pedidos de ajuda tinham sido feitos, mas a internação compulsória nunca foi concretizada. A tragédia serve como alerta doloroso: o problema estava dentro de casa e, quando explodiu, levou embora três vidas em menos de um dia.
(Crédito das informações: Polícia Militar de Santa Catarina, Polícia Civil, ND+, G1 e reportagem local)



