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Relembre: Maurício Mattar diz que Guilherme de Pádua se relacionava com homens e tinha planos de ascender na vida

Em 2022, quando o documentário Pacto Brutal: O Assassinato de Daniella Perez trouxe de volta à tona um dos crimes mais chocantes da televisão brasileira, uma declaração antiga de Maurício Mattar ganhou nova vida nas redes sociais e na imprensa. O ator, que dividiu o palco com Guilherme de Pádua na peça Blue Jeans em 1991, contou detalhes que, até então, haviam circulado apenas em rodas fechadas do teatro e em algumas páginas de revistas da época. Segundo Mattar, o comportamento de Pádua nos bastidores ia muito além da simples admiração profissional.

Maurício descreveu um assédio insistente e constrangedor. Durante as trocas de figurino, Pádua se aproximava demais, fazia comentários explícitos e chegava a pedir para ver seu órgão genital. O desconforto era tamanho que Mattar precisou estabelecer limites claros, algo que, na época, ainda era tratado com risos nervosos ou silêncio entre os colegas. O que mais chamou atenção, porém, foi a frase que Pádua teria repetido várias vezes: ele estava disposto a “dormir com quem fosse preciso” para subir na carreira.

Essas revelações não surgiram do nada. Já no julgamento de 1997, trechos de depoimentos mencionavam a bissexualidade de Pádua e sua estratégia calculada de usar o corpo como moeda de troca no meio artístico. Mattar apenas confirmou, anos depois, o que alguns já sussurravam: o assassino de Daniella Perez via a sexualidade como ferramenta de ascensão, sem qualquer pudor ou disfarce.

O contexto da época ajuda a entender por que tais histórias demoraram tanto para ganhar espaço público. Nos anos 90, falar abertamente sobre assédio sofrido por homens era quase impensável, especialmente quando o agressor era alguém que se apresentava como heterossexual casado. A homofobia velada da sociedade brasileira transformava qualquer denúncia desse tipo em algo que poderia prejudicar mais a vítima do que o acusado.

A ambição desmedida de Pádua, aliás, sempre foi o traço mais comentado por quem o conheceu. Colegas de profissão relatavam que ele estudava cada passo, cada contato, cada oportunidade. A entrada na novela De Corpo e Alma, onde interpretou um par romântico de Daniella Perez, foi vista por ele como o grande salto. Quando percebeu que a filha de Glória Perez poderia ofuscá-lo ou barrar sua escalada, a obsessão virou ódio e, por fim, crime.

Hoje, olhando para trás, a história de Guilherme de Pádua parece carregar todos os ingredientes de uma tragédia grega: vaidade, desejo de poder, sexualidade reprimida e uma violência que explodiu quando os planos desmoronaram. As declarações de Maurício Mattar, longe de serem mero sensacionalismo, jogam luz sobre o tipo de pessoa que estava por trás do assassinato que parou o Brasil.

Trinta e três anos depois do crime, o que resta é a certeza de que o monstro nunca foi apenas o assassino frio que a imprensa pintou. Era também um homem capaz de usar o próprio corpo, a sedução, a manipulação e, quando tudo falhava, a brutalidade mais extrema para alcançar o que acreditava merecer. A frase dita nos bastidores de Blue Jeans acabou se tornando, sem que ninguém soubesse na época, uma espécie de profecia sombria do que viria a seguir.

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