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Assessor do governo Castro pede exoneração e faz grave acusação

O ambiente político do Rio de Janeiro voltou a ganhar destaque nesta semana após a divulgação do pedido de exoneração de Victor Travancas, assessor da Casa Civil, que encaminhou um ofício diretamente ao governador Cláudio Castro (PL). A decisão, segundo ele, não foi fruto de desânimo ou desgaste cotidiano, mas de uma “profunda inconformidade” com a permanência de André Moura no comando da Secretaria de Governo.

A manifestação de Travancas acontece em um momento em que o cenário político estadual já vinha sendo marcado por debates sobre transparência, alianças e postura administrativa. O Rio, que está prestes a iniciar um novo ciclo de grandes eventos — incluindo preparativos para atividades turísticas intensificadas no verão —, agora vê repercutir um impasse interno que expõe divergências entre seus próprios agentes públicos.

André Moura, atualmente filiado ao União Brasil, já ocupou o cargo de deputado federal e chegou a ser condenado pelo STF em 2021 por crimes relacionados à administração pública. No entanto, em 2023, após um acordo de não persecução penal apresentado pela Procuradoria-Geral da República e homologado parcialmente pela Corte, a punibilidade foi extinta. Embora essa decisão tenha encerrado o processo do ponto de vista jurídico, o histórico ainda repercute no campo político — e foi justamente esse ponto que motivou a saída de Travancas.

No documento enviado ao governador, o assessor afirma que sua escolha não está ligada a insatisfações rotineiras, mas ao desconforto com a continuidade de Moura na secretaria. Ele menciona, inclusive, publicações recentes de redes sociais envolvendo o ex-deputado TH Joias, que enfrenta acusações por associação com grupos criminosos. Para Travancas, esse conjunto de elementos compromete a imagem institucional do governo e gera uma crise moral difícil de ignorar.

Ao comentar sua trajetória no governo de Cláudio Castro, Travancas relembrou episódios marcantes. Ele afirma já ter ocupado funções estratégicas ligadas ao combate à corrupção, período em que, segundo relata, chegou a receber ameaças de morte. Mais tarde, foi transferido para o Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro, onde permaneceu até janeiro deste ano, quando acabou exonerado após determinar o fechamento temporário da unidade alegando problemas estruturais. Na época, a medida não teria sido bem recebida pela gestão.

Curiosamente, poucos meses depois, o próprio governo decidiu recontratá-lo. Para o assessor, esse retorno representava o reconhecimento de que sua exoneração anterior havia sido precipitada. Passou então a atuar na área de relações internacionais, estabelecendo pontes e contatos institucionais em nome do Estado. Agora, porém, volta a pedir seu afastamento — um pedido que, de acordo com ele, ainda não foi oficialmente acatado.

O episódio, embora interno, ganhou grande repercussão política e ecoou em análises feitas por especialistas e comentaristas nos últimos dias. Em um momento em que se discute intensamente a relação entre governança e credibilidade, o caso levanta questionamentos sobre o equilíbrio de forças e as escolhas administrativas no Rio de Janeiro.

A expectativa, agora, é observar como o Palácio Guanabara responderá ao pedido de exoneração e se o governo fará algum movimento mais amplo para reavaliar sua composição interna. Até lá, o assunto deve continuar em pauta, alimentando debates tanto nos bastidores quanto no cenário público.
 

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