Primeira-ministra de Bangladesh irá perder a vida após crimes contra a humanidade: ‘Ela…Ver mais

A condenação da ex-primeira-ministra de Bangladesh, Sheikh Hasina, anunciada nesta segunda-feira (17), repercutiu de maneira intensa em toda a comunidade internacional. Aos 78 anos, Hasina, que liderou o país por mais de uma década — de 2009 até 2024 —, foi sentenciada à pena máxima após ser considerada responsável por ordenar uma repressão severa contra manifestações populares no ano passado. A decisão foi proferida por Golam Mortua Mozumder, juiz do tribunal de Dacca, em uma sessão que reuniu familiares de vítimas e diversas autoridades locais.
Mozumder afirmou que o conjunto de provas reunidas ao longo do processo configurava um crime contra a humanidade. Segundo ele, a sentença refletia “a gravidade dos atos” atribuídos à ex-premiê. No tribunal, o clima era de tensão e expectativa. Familiares de pessoas mortas ou feridas durante os protestos acompanharam todo o pronunciamento, e muitos deles demonstraram emoção ao ouvir o veredito.
Os eventos que motivaram o julgamento remontam aos protestos ocorridos no ano passado, quando milhares de estudantes e trabalhadores foram às ruas para pedir reformas políticas e denunciar práticas que consideravam autoritárias. De acordo com o tribunal, a repressão ordenada por Hasina teria levado à morte de aproximadamente 1,4 mil manifestantes e deixado cerca de 25 mil feridos. Esses números, citados durante o processo, chamaram atenção pela dimensão do conflito, que rapidamente se tornou um dos episódios mais marcantes da história recente de Bangladesh.
As acusações contra a ex-primeira-ministra incluíam incitação a ações violentas, ordens para punir manifestantes e autorização do uso de armamento contra civis. O tribunal afirmou que Hasina teria orientado tanto integrantes de seu partido quanto forças de segurança a adotarem medidas duras contra os protestos. Também, segundo a acusação, não teria tomado providências para impedir excessos cometidos durante a operação.
Hasina, que está exilada na Índia desde o ano passado, não compareceu ao julgamento e segue negando todas as acusações. Aliados da ex-premiê afirmam que o processo tem motivações políticas e que o governo atual buscaria consolidar apoio interno ao reforçar a narrativa de responsabilização. Essa versão, por sua vez, é contestada por grupos de direitos humanos que acompanharam as investigações e apontam que há elementos suficientes para justificar a condenação.
A repercussão internacional não tardou. Organizações de monitoramento, diplomatas e analistas regionais destacaram que o caso reacende debates sobre democracia e direitos civis no sul da Ásia. Alguns observadores fizeram paralelos com crises recentes envolvendo instabilidade política em outros países da região, como as tensões no Sri Lanka e os protestos estudantis na Índia. Em Bangladesh, o episódio gerou novos debates sobre o futuro do país e sobre o modelo de liderança que deve surgir a partir dessa decisão.
Enquanto isso, a população reage de forma dividida. Há quem veja a sentença como um marco de responsabilização histórica, enquanto outros temem que o episódio aprofunde divisões políticas. O certo é que o desfecho do caso de Sheikh Hasina ainda terá desdobramentos, tanto dentro quanto fora de Bangladesh, num momento em que o mundo acompanha com atenção movimentos que afetam diretamente democracia, instituições e direitos civis.



