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Pai de menina que teve vida tirada pelo padrasto desabafa e pede justiça

A manhã deste sábado (15/11) foi marcada por grande comoção em Serrana, no interior de São Paulo. Famílias inteiras, vizinhos, amigos da escola e pessoas que nem mesmo conheciam a menina, mas foram tocadas pela história, estiveram presentes no cemitério municipal para prestar a última homenagem à criança de 11 anos que perdeu a vida de forma trágica na última quinta-feira (13/11).

O clima era de silêncio, daqueles que parecem pesar mais que palavras. O pai da menina, Flávio Antunes de França, emocionou a todos com um desabafo sincero, lembrando a doçura e a tranquilidade que sempre marcaram o jeito da filha. Ele contou que a menina tinha o hábito de rezar com ele, pegando em sua mão, e que esse gesto simples, repetido tantas vezes no cotidiano da família, agora se torna uma lembrança que ficará para sempre.

“Ela era uma menina doce, educada, meiga. Rezava comigo, me ensinou até uma oração. Quando eu esquecia de pegar na mão dela, ela me lembrava. Nunca vou esquecer isso”, disse, com voz embargada. No final, completou que sente como se tivessem tirado “um tesouro” de sua vida.

O caso ganhou repercussão nacional nos últimos dias, especialmente após novas descobertas feitas pela equipe médica do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, onde a menina foi atendida. O que inicialmente havia sido tratado como um possível acidente doméstico tomou um rumo completamente diferente após análises clínicas revelarem sinais que levantaram suspeitas de um ato intencional.

A partir desses elementos, a Polícia Civil de Serrana passou a investigar o caso com outra perspectiva. O padrasto da menina, Douglas Junior Nogueira, de 32 anos, foi detido temporariamente no sábado, 15/11, na casa da mãe. Ele havia levado a criança ao hospital dois dias antes, dizendo tê-la encontrado desacordada em casa, com uma possível marca no pescoço que, naquele momento, levou a equipe médica a cogitar a hipótese de autoagressão.

Essa linha inicial, porém, perdeu força após laudos médicos constatarem lesões incompatíveis com a versão apresentada. Com isso, a investigação mudou de direção, ampliando o alcance das análises e recolhendo objetos pessoais, celulares e materiais que possam ajudar a esclarecer totalmente o que aconteceu.

A Polícia Civil aguarda agora a conclusão dos exames periciais do Instituto Médico Legal (IML) e de outros laboratórios especializados. Essas informações serão fundamentais para que os investigadores definam os próximos passos, incluindo eventuais novas oitivas e a confirmação — ou não — da responsabilidade do padrasto.

Enquanto a parte técnica segue seu curso, a cidade tenta lidar com a dor coletiva provocada pela perda. Moradores comentam que a menina era conhecida na vizinhança pelo jeito calmo, sempre cumprimentando todo mundo. Professores da escola onde ela estudava também prestaram homenagens discretas, lembrando da dedicação da menina às atividades e do carinho que tinha pelos colegas.

No sepultamento, o pedido de justiça se repetiu nas conversas, nos olhares e nas palavras silenciosas de apoio à família. O sentimento comum entre todos era o de que situações como essa não podem ser ignoradas e que precisam ser enfrentadas com firmeza pelas instituições responsáveis.

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