Notícias

Homem de 33 anos perde a vida após beber suco envenenado

A terça-feira (11) começou com uma notícia amarga no interior do Ceará, daquelas que fazem a gente franzir a testa e pensar como certas histórias parecem coisa de filme — mas, infelizmente, são bem reais. Morreu, no Hospital São Camilo, em Itapipoca, José Augusto Ferreira Sousa, de 33 anos, uma das vítimas que tomaram um suco envenenado entregue por uma mulher na cidade de Umirim, no fim de outubro. Ele estava internado desde então, em estado gravíssimo.

O caso, que aconteceu no dia 29 de outubro, chamou atenção pela forma trágica e inesperada como tudo se desenrolou. Um homem de 27 anos recebeu uma garrafa de suco da própria esposa e, no horário de almoço, acabou dividindo a bebida com dois colegas de trabalho — algo absolutamente comum em obras, fábricas e serviços gerais, onde o companheirismo às vezes fala mais alto que a cautela. O que ninguém imaginava é que aquela garrafinha carregava uma armadilha mortal.

Poucos minutos após beberem o suco, os três começaram a passar mal. Náuseas fortes, tontura, falta de ar. Os colegas tentaram ajudar como podiam até que o socorro chegou. Primeiro, foram levados ao hospital da região, mas, com a piora de José Augusto, ele precisou ser transferido para Itapipoca. Ficou dias lutando — chegou a ser entubado, segundo médicos que acompanharam o caso — mas não resistiu. Deixa esposa e dois filhos, que agora enfrentam uma perda difícil de digerir.

O marido da suspeita, que também tomou o suco, ficou hospitalizado por alguns dias. Saiu do hospital nesta segunda-feira, e a polícia acredita que ele era o alvo principal do envenenamento. Detalhes sobre o estado psicológico desse homem não foram divulgados, mas familiares disseram que ele ainda tenta entender como a própria esposa pôde colocá-lo nessa situação.

O terceiro trabalhador, um homem de 52 anos, continua internado no Instituto Doutor José Frota (IJF), em Fortaleza. Ele chegou a ficar em coma e entubado, mas apresentou melhora ao longo da última semana. Agora está consciente, embora ainda precise de cuidados intensivos. Quem conversa com familiares percebe que o clima é de alívio misturado com medo: ninguém sabe exatamente quando ele terá alta ou quais sequelas pode carregar.

A suspeita do crime, Jane Clea Rodrigues de Moraes Sousa, de 36 anos — que trabalhava como babá — foi presa na segunda-feira, na casa onde vivia, na comunidade Cidade de Deus, em Umirim. Durante a operação, os policiais apreenderam seis vidros de formicida, produto usado para matar formigas, além de um celular que deve ajudar a esclarecer a motivação. O detalhe dos frascos encontrados fez crescer a suspeita de premeditação, e não de um ato impulsivo.

A Delegacia de Polícia Civil de Uruburetama segue à frente das investigações, aguardando os laudos da Perícia Forense, que vão confirmar oficialmente a substância usada no suco. A própria polícia reforçou, em nota, que a prisão ocorreu após determinação judicial e contou com apoio de unidades do Interior Norte.

Casos assim, infelizmente, têm se tornado notícia com mais frequência do que gostaríamos. Em meio a discussões sobre saúde mental, violência doméstica e até um aumento de envenenamentos registrados no país nos últimos anos, o episódio acende um sinal vermelho sobre relações que se transformam em tragédia.

Enquanto a justiça tenta montar o quebra-cabeça, três famílias seguem marcadas por uma história que começou com um simples gesto de compartilhar uma bebida — e terminou de forma brutal.

 

Mostrar mais

LEIA TAMBÉM: