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Polícia revela suspeita sobre vítima fatal de explosão no Tatuapé

A manhã de quinta-feira (13) no Tatuapé, zona leste de São Paulo, começou como qualquer outra. Comércio abrindo, crianças indo para a escola, aquela rotina urbana que a gente reconhece de longe. Mas, por volta das 10h, tudo mudou: uma explosão estrondosa sacudiu a vizinhança e deixou moradores atônitos. Em poucos minutos, sirenes começaram a ecoar pelas ruas estreitas do bairro, e o que se viu depois parece roteiro de série policial.

As investigações iniciais da Polícia Civil apontam que o corpo encontrado nos escombros seria de Adir de Oliveira Mariano, 46 anos. A confirmação oficial ainda depende do exame necroscópico do IML, mas, segundo o delegado Felipe Soares, da 5ª Delegacia Seccional Leste, “todas as evidências convergem para Adir”. A frase, dita na coletiva desta sexta-feira (14), sintetiza bem o clima da investigação: nada é definitivo, mas as pistas caminham juntas.

O Corpo de Bombeiros, ao notar indícios de risco adicional durante o rescaldo, acionou o Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais). Foi a equipe antibombas que localizou o corpo carbonizado, um detalhe que reforça o impacto da explosão e a preocupação sobre o que poderia haver dentro do imóvel.

Quem era Adir?

A verdade é que, até então, pouca gente sabia. Vizinhos comentaram que mal o conheciam — “um rosto que a gente via de vez em quando, mas ninguém conversava muito”, disse um morador, ainda visivelmente abalado. Adir morava na casa havia cerca de 40 dias. O contrato estava no nome do irmão, Alessandro de Oliveira Mariano, segundo o boletim de ocorrência.

Esse detalhe parece pequeno, mas não é. A prefeitura informou que o imóvel não tinha qualquer registro para funcionar como depósito, e tampouco havia notificação ou denúncia sobre atividades clandestinas no local. Esse “vazio administrativo”, somado à ausência de contato com Adir desde a explosão, reforça o que a polícia já trabalha como principal linha: ele estava sozinho na residência no momento do acidente.

Passado e elementos que chamam atenção

Uma peça curiosa do quebra-cabeça veio à tona após consulta ao histórico dele: Adir já tinha duas passagens por soltar balões — um crime ambiental — nos anos de 2011 e 2012, das quais foi absolvido em 2015. À primeira vista, isso poderia parecer apenas um detalhe distante. No entanto, perfis do próprio Adir nas redes sociais chamaram atenção dos investigadores. Entre fotos, vídeos e comentários, há publicações sobre balões e artefatos artesanais, o que, para os agentes, pode indicar conhecimento técnico relacionado a materiais inflamáveis.

Ainda é cedo para qualquer conclusão. A Polícia Civil trabalha com sigilo, como costuma acontecer em casos que envolvem potencial manipulação de materiais explosivos. O que se sabe é que a perícia vasculha cada centímetro dos escombros atrás de pistas: fragmentos metálicos, vestígios de combustão, qualquer coisa que conte a história do que realmente ocorreu ali.

Enquanto isso, a vizinhança tenta retomar o fôlego. Casas próximas sofreram rachaduras, móveis caíram, e muita gente ainda dormiu mal. O sentimento geral é de susto — e de uma curiosidade inquieta, quase inevitável, que surge quando algo inexplicável acontece bem ao lado de casa.

Nos próximos dias, os laudos devem preencher algumas lacunas. Até lá, a explosão do Tatuapé segue como mais um capítulo daqueles que lembram o quanto a vida urbana pode, de repente, se transformar em um enigma.

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