Incêndio de grandes proporções atinge lote com materiais recicláveis em Contagem

A sexta-feira (14) começou tensa para quem passava pela Via Expressa, no bairro Bernardo Monteiro, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Logo nas primeiras horas da manhã, um incêndio de grandes proporções tomou conta de um lote repleto de materiais recicláveis — daqueles que acumulam pneus, montes de plástico prensado e outras coisas difíceis até de identificar no meio da fumaça espessa. Quem costuma pegar a via para trabalhar sentiu no rosto o cheiro forte e o ar mais pesado, típico de que algo sério estava acontecendo ali.
De acordo com o tenente Pedro Folha, do Corpo de Bombeiros, a corporação foi acionada por volta das 4h30, depois que moradores e motoristas perceberam o clarão e a fumaça subindo rápido. Em poucos minutos, cinco viaturas e um total de 11 militares já estavam no local, começando o combate às chamas enquanto a madrugada ainda escurecia o céu. O tenente, ao conversar com a imprensa, comentou que a situação era especialmente sensível por causa da alta toxicidade da fumaça. “Como há grande concentração de plásticos, pneus e outros materiais ainda não identificados, a fumaça é altamente tóxica. O ideal é que as pessoas evitem o local enquanto o ar não estiver estabilizado”, alertou.
Para reforçar o trabalho, duas carretas do tipo Auto Jamanta, cada uma com capacidade de armazenar 25 mil litros de água, também foram enviadas. Essas carretas são usadas justamente em incêndios que exigem grande volume de água, como galpões, depósitos e, nesse caso, lotes abarrotados de materiais inflamáveis. Graças ao trabalho rápido dos militares, as chamas foram controladas antes de se espalharem para a vegetação que cerca o terreno — um risco real, especialmente nesta época do ano, em que o calor e a secura aumentam a vulnerabilidade das áreas verdes.
Enquanto os bombeiros trabalhavam, quem precisava passar pela Via Expressa enfrentou paciência testada. A Transcon, concessionária responsável pela via, informou que o incêndio ocorreu no sentido Betim, deixando apenas uma faixa liberada. Até às 6h45, o congestionamento já chegava a quase 2 km, e a faixa continuava bloqueada. No sentido Belo Horizonte, embora o fogo não estivesse diretamente na pista, a fumaça densa reduziu bastante a visibilidade, fazendo o tráfego ficar lento e exigindo mais atenção dos motoristas.
Ao longo da manhã, vídeos começaram a circular nas redes sociais — especialmente no X (antigo Twitter) e em grupos de WhatsApp — mostrando a coluna de fumaça escura subindo e tomando boa parte da vista da região. Alguns moradores relataram cheiro de borracha queimada dentro de casa, mesmo com portas e janelas fechadas. Outros comentaram que já era a segunda vez, em poucos meses, que viam incêndios em depósitos irregulares de recicláveis na área, levantando questionamentos sobre fiscalização e segurança.
Apesar do susto, ninguém ficou ferido. O Corpo de Bombeiros deve continuar no local até que todos os focos sejam eliminados e que não haja risco de reignição, algo comum quando há grande quantidade de plástico e borracha acumulados. Para os motoristas, a recomendação segue sendo evitar o trecho até a liberação completa e, principalmente, não se aproximar da fumaça, que pode causar irritação nos olhos, garganta e até mal-estar respiratório.
A expectativa é de que, ao longo da tarde, a situação esteja estabilizada — mas o incidente deixa mais uma vez o alerta sobre a importância do descarte adequado e da fiscalização em áreas onde materiais inflamáveis são armazenados.



