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Defensoria denuncia condições em presídio que pode receber Bolsonaro

O futuro do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltou ao centro do debate público, mas agora longe dos palanques. Com a possibilidade de sua transferência do regime domiciliar para o regime fechado, um novo foco de tensão surgiu: o presídio que pode recebê-lo não tem condições mínimas para abrigar idosos. A conclusão não é de um adversário político, e sim da Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF), que divulgou um relatório contundente nesta quinta-feira, 13.

A inspeção ocorreu no dia 6 de novembro, nos blocos 5 e 6 do Centro de Internamento e Reeducação (CIR), localizado no Complexo Penitenciário da Papuda — o mesmo que, há anos, é citado em manchetes sempre que uma figura pública corre risco de ser presa. Segundo o relatório, o cenário encontrado é de abandono: superlotação, ventilação precária, falta de itens básicos de higiene, comida ruim e atendimento médico lento.

Para se ter ideia do caos, as celas destinadas a idosos chegam a abrigar 38 detentos em espaços com apenas 21 camas. Quem não encontra colchão dorme no chão. E quando se lembra que Bolsonaro tem 70 anos, o alerta acende ainda mais forte. Para a Defensoria, o local simplesmente não oferece condições para abrigar qualquer pessoa idosa, muito menos alguém com problemas de saúde e alto nível de exposição pública.

O Defensor Público-Geral, Celestino Chupel, não economizou palavras. “No momento, a unidade prisional não tem condições de receber qualquer pessoa idosa”, afirmou, cobrando providências imediatas do governo do DF. Entre as recomendações apresentadas estão a redução da superlotação — seja por saídas antecipadas ou progressões de regime —, o aumento do número de servidores e a ampliação das políticas de reintegração social.

O relatório também aponta que a precariedade não se limita às paredes das celas. Há relatos de comida insuficiente, falta de remédios básicos e atendimento médico demorado, o que, segundo os defensores, coloca os presos em risco desnecessário. Em um contexto de envelhecimento da população carcerária, essas falhas podem ser fatais.

Paralelamente, cresce nos bastidores a discussão sobre outra alternativa: o 19º Batalhão da Polícia Militar do DF, a chamada Papudinha. O portal Metrópoles revelou que o espaço poderia ser adaptado para receber Bolsonaro. O batalhão, que fica no mesmo complexo, recebeu R$ 500 mil em emendas parlamentares em junho de 2025 para reformas nos alojamentos. Porém, mesmo ali, segundo fontes ouvidas pela Defensoria, há limitações de estrutura e segurança, especialmente para acolher um detento de alto perfil político.

Caso Bolsonaro seja realmente encaminhado ao Complexo da Papuda, o governo do Distrito Federal terá diante de si uma equação difícil: como equilibrar segurança, logística e direitos humanos em um ambiente marcado por precariedade estrutural?

O relatório da DPDF deixa claro que esse debate precisa ir além de nomes famosos. A superlotação e o abandono registrados não atingem apenas figuras públicas — são problemas antigos, recorrentes e que afetam milhares de pessoas que cumprem pena no DF. Para a Defensoria, o Estado tem uma obrigação inegociável: garantir a dignidade de todo cidadão privado de liberdade, independentemente de quem seja ele.

Seja qual for o destino do ex-presidente, a Papuda expõe uma realidade incômoda: o sistema prisional do DF precisa de reformas urgentes — e não apenas quando o possível ocupante de uma cela se chama Jair Bolsonaro.

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