Cueca de padre leiloada durante festejo no Tocantins

Durante um dos festejos mais tradicionais de Alvorada, o da Paróquia São Francisco de Assis, um fato inusitado roubou a cena e virou assunto nas redes sociais: a cueca do padre Thiago Zanardi foi leiloada por nada menos que R$ 3 mil. O episódio, que aconteceu durante o 53º Festejo de São Francisco de Assis, no fim de setembro, acabou viralizando e levantando tanto risadas quanto críticas.
O vídeo que circulou na internet mostra o padre em clima descontraído, usando camisa com clérgima e chapéu de boiadeiro, subindo o cós da roupa íntima e dançando enquanto o público se diverte. Um leiloeiro ao lado vai animando o momento: “Mil reais na cueca do padre! Dois mil! Três mil, vendida!” — e o martelo desce. A plateia aplaude e, ao que tudo indica, o ambiente era de brincadeira e alegria.
Mas o caso ganhou uma proporção bem maior. Dias depois, quando o padre prestava contas do evento na missa, ele mesmo mencionou o episódio de forma bem-humorada. Segundo Zanardi, a paróquia arrecadou mais de R$ 334 mil com o novenário, e parte desse valor veio justamente da “polêmica cueca”.
“Quero dizer que dentro desse valor estão aqueles R$ 3.000 polêmicos da cueca do padre”, comentou, rindo. “Foi um momento de partilha, de convivência, de estarmos entre os paroquianos. O padre já tinha perdido o chapéu, o cinto, a botina… aí alguém brinca: ‘Agora é a cueca do padre!’”, explicou durante a celebração.
Apesar do tom leve, o vídeo acabou sendo visto fora de contexto. O registro, feito por alguém presente no local, viralizou e despertou comentários negativos. No domingo seguinte, dia 9 de novembro, o padre usou a missa — transmitida ao vivo no YouTube — para desabafar. Em um tom mais sério, ele disse que o vídeo foi feito por uma “funcionária do capeta, com espírito de ronca e fuça”, e lamentou a falta de confiança dentro da comunidade.
“Isto partiu daqui, e o padre sabe quem é. A gente vai ter que ir tomando algumas atitudes, porque parece que não temos mais liberdade sequer de viver e conviver com os paroquianos em quem achamos que podemos confiar”, declarou.
O caso gerou tanta repercussão que o g1 tentou contato com o padre, a paróquia e até o bispo da diocese de Porto Nacional, mas não obteve resposta até a publicação da reportagem.
Ainda assim, o próprio padre afirmou durante a missa que conversou com o bispo e que se colocou à disposição caso fosse necessária alguma advertência canônica. A resposta, segundo ele, foi tranquila: “A única pessoa a quem devo satisfação — que não me cobrou, mas justifiquei — foi o senhor bispo, que disse: ‘Padre, não houve imoralidade alguma’”.
De fato, o contexto parece mais uma brincadeira típica de festa do interior do que qualquer ato de desrespeito religioso. Quem já participou de leilões beneficentes em comunidades sabe que o bom humor é parte do espírito desses eventos — e, nesse caso, a “cueca do padre” virou apenas o símbolo mais curioso de um festejo que arrecadou centenas de milhares de reais para a paróquia.
No fim das contas, entre risadas, críticas e memes, o que fica é a lembrança de que nem toda polêmica nasce do mal — às vezes, é só o reflexo de uma comunidade viva, que celebra a fé com alegria e, por que não, com um toque de irreverência.



