Defesa tem plano para evitar ida de Bolsonaro para a Papuda

A equipe jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) parece estar apostando todas as fichas em uma nova estratégia para tentar impedir sua ida ao Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Condenado a 27 anos e três meses de prisão no processo que investigou a tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro — segundo aliados próximos — estaria “desesperado” e afirmando que “terá um piripaque” caso precise iniciar o cumprimento da pena na unidade prisional.
De acordo com informações apuradas pela Revista Fórum, a defesa tem preparado uma espécie de “bala de prata” jurídica: um pedido para que o ex-presidente cumpra sua pena em uma unidade do Exército Brasileiro, e não na Papuda.
Um novo argumento em construção
A justificativa central desse pedido é que Bolsonaro, apesar de afastado há décadas da ativa, ainda é militar da reserva — ele deixou o Exército em 1988, aos 33 anos, com o posto de capitão. Os advogados acreditam que, como outros militares de alta patente condenados no mesmo processo terão direito de cumprir pena em instalações militares, Bolsonaro também deveria ter essa prerrogativa.
A defesa, no entanto, sabe que essa tese é frágil. Segundo juristas ouvidos pela imprensa, há uma contradição evidente: se a Papuda não é considerada um ambiente adequado para o ex-presidente, como seria um quartel — local diretamente ligado à instituição cujo nome foi usado por ele e seus aliados em atos que pediam intervenção militar?
Além disso, a proposta enfrenta resistência dentro do próprio Exército. Fontes ouvidas por repórteres de Brasília apontam que o Comando da Força não deseja a presença de Bolsonaro em suas unidades, temendo “contaminação do ambiente da tropa” e manifestações políticas internas.
A estratégia da saúde
Paralelamente, a defesa de Bolsonaro tem insistido no argumento de que seu estado de saúde é incompatível com a prisão comum. Relatórios médicos e laudos particulares vêm sendo apresentados para sustentar que ele precisaria de acompanhamento constante e estrutura hospitalar adequada.
Nos bastidores, aliados tentam articular apoio junto ao governo do Distrito Federal, onde há figuras alinhadas à direita, para reforçar o discurso de que a transferência à Papuda representaria risco à vida do ex-presidente.
Contudo, mesmo que essa linha argumentativa não prospere, os advogados planejam usá-la como degrau para um novo pedido, o que chamam de “plano B”: a transferência para uma unidade militar.
Decisão nas mãos do STF
A última palavra, porém, será do Supremo Tribunal Federal, e, especialmente, do ministro Alexandre de Moraes, relator do processo. Segundo apurações, Moraes e outros ministros da Primeira Turma do STF já consideram que não há nenhum impedimento jurídico para que Bolsonaro cumpra pena na Papuda.
Caso a defesa consiga comprovar uma condição médica grave, o máximo que poderia ocorrer seria a concessão de prisão domiciliar, e não o cumprimento da pena em um quartel — o que, para muitos, seria um precedente perigoso e politicamente explosivo.
Enquanto a defesa prepara seus próximos passos, o ex-presidente segue recluso em sua residência em Brasília, acompanhado de perto por aliados políticos e assessores. A tensão é grande, e o clima no entorno de Bolsonaro é de incerteza total — afinal, a cada movimento da Justiça, a corda aperta um pouco mais.



