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Ônibus cai em penhasco e 37 pessoas não resistem

A quarta feira amanheceu de luto após um dos piores acidentes rodoviários do ano. Um ônibus da empresa Llamosas, que transportava cerca de 60 passageiros, caiu de um penhasco de aproximadamente 200 metros após colidir frontalmente com uma caminhonete na Rodovia Pan-Americana Sul, no departamento de Arequipa, região sul do país. O saldo é devastador: 37 mortos confirmados e dezenas de feridos.

Segundo informações do gerente regional de saúde, Walther Oporto, 36 pessoas morreram ainda no local e uma vítima não resistiu ao ser levada para o hospital, elevando o número de mortos para 37. As equipes de resgate enfrentaram grandes dificuldades devido ao terreno acidentado e à distância dos centros urbanos, o que dificultou o transporte dos feridos e a retirada dos corpos.

Acidente em curva perigosa

De acordo com as primeiras apurações, o acidente aconteceu em uma curva sinuosa, conhecida por ser um dos pontos mais perigosos da rodovia. O ônibus, que havia partido da cidade de Chala com destino a Arequipa, colidiu com uma caminhonete que trafegava no sentido oposto. Com o impacto, o veículo de passageiros perdeu o controle e despencou no barranco às margens do Rio Ocoña.

Moradores da região relataram ter ouvido um estrondo por volta das 4h da manhã e correram para o local em busca de sobreviventes. “Foi uma cena de horror. Muitas pessoas pediam ajuda, mas era difícil chegar até o ônibus por causa do penhasco”, contou José Córdova, um dos primeiros a chegar ao local.

Equipes do Corpo de Bombeiros, Polícia Rodoviária e Defesa Civil foram mobilizadas imediatamente. Helicópteros foram utilizados para resgatar os feridos mais graves e levá-los aos hospitais de Camaná e Arequipa. Até o momento, 24 pessoas estão internadas, algumas em estado crítico.

Rodovia marcada por tragédias

A Rodovia Pan-Americana Sul é uma das principais vias do país, mas também uma das mais perigosas. O trecho onde ocorreu o acidente, na província de Caravelí, acumula um histórico trágico. Nos últimos cinco anos, dezenas de acidentes fatais foram registrados na mesma região. Especialistas apontam excesso de velocidade, más condições do asfalto e curvas fechadas como fatores recorrentes.

“Infelizmente, essa rodovia é conhecida como uma das mais mortais do Peru. Falta sinalização, iluminação e fiscalização adequada”, afirmou o engenheiro de trânsito Raúl Medina, da Universidade Nacional de San Agustín.

Dados oficiais do Sistema de Informação em Saúde do Peru mostram que, só em 2025, o país já contabiliza mais de 3 mil mortes em acidentes de trânsito. O número impressiona e reacende o debate sobre a precariedade do transporte interprovincial e a urgência de melhorias estruturais nas estradas.

Investigações e reação pública

O Ministério dos Transportes e Comunicações do Peru anunciou a abertura de uma investigação formal para apurar as causas do desastre e possíveis responsabilidades da empresa Llamosas. Autoridades locais afirmam que será analisado se houve falha mecânica, erro humano ou irregularidade na manutenção do veículo.

Nas redes sociais, mensagens de pesar se multiplicaram. O presidente Dina Boluarte expressou condolências às famílias das vítimas e prometeu “reforçar as medidas de segurança viária para evitar novas tragédias”.

Enquanto o país tenta compreender mais uma perda coletiva, a imagem do ônibus destruído às margens do Rio Ocoña serve como lembrança dolorosa da fragilidade das estradas peruanas — e do quanto a segurança no trânsito ainda é uma promessa a ser cumprida.

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