Viúva de mototaxista morto por PM faz relato comovente

A sexta-feira (7) terminou em tragédia para a família de Andrew Andrade do Amor Divino, de 29 anos, um mototaxista conhecido na região da Pavuna, Zona Norte do Rio. O jovem foi morto com um tiro de fuzil durante uma ação policial em um dos acessos ao Complexo do Chapadão, área marcada por confrontos e operações constantes. Segundo o jornal Extra, Andrew não resistiu ao disparo e já chegou sem vida ao Hospital Getúlio Vargas, na Penha.
Pai de dois meninos — um de seis anos e outro recém-nascido, com menos de um mês de vida —, Andrew era descrito por amigos e vizinhos como um trabalhador dedicado, um cara tranquilo, que vivia para sustentar a família. Sua morte gerou comoção e revolta entre moradores da Pavuna, que acusam a polícia de agir com excesso.
A Polícia Militar informou que o disparo que atingiu Andrew partiu de um dos agentes envolvidos na operação. Segundo a corporação, o mototaxista não teria obedecido a uma ordem de parada e, em vez disso, avançado sobre o cerco policial. Essa versão, porém, é contestada pela família, que afirma que Andrew estava voltando de uma comemoração e não percebeu a abordagem porque o som do carro estava alto e os vidros, fechados.
A viúva, Dayene Nicácio Carvalho, de 27 anos, ainda tenta entender o que aconteceu. Em entrevista ao Extra, ela contou que o filho mais velho entrou em desespero ao saber da morte do pai:
— “Ele começou a chorar muito. Disse que não queria mais ficar em casa porque o pai não ia voltar. Foi a pior dor da minha vida.”
Dayene também fez questão de reforçar que o marido não tinha qualquer envolvimento com o crime.
— “Ele era trabalhador, fazia corrida de moto o dia inteiro e ainda consertava celular à noite pra ajudar nas contas. Estava voltando pra casa. Toda vez que via uma viatura, ele parava. Era habilitado, o carro estava em dia. Não tinha por que fugir”, relatou emocionada.
O casal havia acabado de realizar o sonho da casa própria — uma residência simples, comprada por meio de um empréstimo bancário. Agora, Dayene diz não saber como vai sustentar os dois filhos sozinha.
— “Ele fazia de tudo pela gente. Era um pai presente, um marido parceiro. Não consigo acreditar que ele não vai mais entrar pela porta.”
De acordo com informações oficiais, os policiais envolvidos na ação foram afastados das ruas enquanto o caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). A PM também informou que abriu um procedimento interno para apurar as circunstâncias do disparo.
Nas redes sociais, a morte de Andrew provocou uma onda de indignação. Moradores do Chapadão e de bairros próximos publicaram mensagens pedindo justiça e o fim das abordagens violentas em áreas periféricas. “Mais um trabalhador morto por engano”, lamentou um internauta.
Enquanto o caso segue em investigação, a família de Andrew tenta reunir forças para enfrentar o luto. Na Pavuna, o sentimento é de que a bala perdida nunca é tão perdida assim — quase sempre encontra o mesmo destino: o peito de um inocente. E, entre lágrimas e lembranças, fica a sensação amarga de que o sonho de uma vida melhor foi interrompido antes mesmo de começar.



