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Mãe de assassino de mulher que empurrava carrinho de bebê choca com relato

Um crime cruel, cometido em plena luz do dia, chocou os moradores de Sepetiba, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, e comoveu o país. Laís de Oliveira Gomes Pereira, de apenas 24 anos, foi morta com um tiro na nuca enquanto empurrava o carrinho de seu filho de quase dois anos. A cena, registrada por câmeras de segurança, tornou-se um retrato doloroso da violência urbana — e de uma história que mistura horror, remorso e tragédia familiar.

A Polícia Civil do Rio prendeu dois homens acusados do assassinato: Erick Santos Maria, o piloto da moto, e Davi de Souza Malto, que confessou ser o autor do disparo. O que mais chocou, porém, foi a forma como a prisão aconteceu. Davi foi denunciado pela própria mãe, Kelly Silva de Souza, que reconheceu o filho nas imagens divulgadas do crime.

Em entrevista ao g1, Kelly relatou o momento em que teve certeza de que o jovem nas imagens era o seu filho. “Eu reconheci meu filho nas fotos. Eu reconheci meu filho na imagem. Eu liguei pra denunciar o meu filho”, contou, em prantos. “Meu filho foi criado na igreja, tocava guitarra no ministério de louvor. Eu nunca imaginei que ele fosse tirar a vida de uma menina inocente. Eu criei ele com muita dificuldade.”

A mãe, visivelmente abalada, pediu perdão à família da vítima. “Eu quero pedir perdão pra esse pai, pra essa família da Laís que chora. Se eu tô sofrendo, imagino a dor deles. As crianças dela vão crescer sem a mãe. Eu não criei um bandido. O meu filho era um menino de bem”, lamentou.

Segundo as investigações, os dois homens foram contratados por R$ 20 mil para executar o crime. A princípio, a função deles seria apenas monitorar os passos de Laís, mas acabaram decidindo realizar a execução. A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) segue apurando quem mandou matar a jovem e por qual motivo.

O crime aconteceu na última terça-feira, na Travessa Santa Vitória, uma rua pacata de Sepetiba. As imagens da câmera de segurança mostram Laís empurrando o carrinho do filho, atravessando a rua com calma. Poucos segundos depois, a moto se aproxima, o atirador dispara e foge. O bebê, de apenas 1 ano e 8 meses, não foi atingido. Laís morreu antes mesmo de receber socorro.

Testemunhas contaram que ela havia acabado de deixar a filha mais velha, de 4 anos, na escola e voltava para casa quando foi surpreendida. “Ela era uma mãe muito dedicada, vivia para os filhos”, contou uma vizinha, ainda em choque.

O vídeo, que circula nas redes sociais, vem sendo analisado por peritos da DHC. A polícia tenta identificar os possíveis mandantes e entender se o crime tem relação com conflitos locais ou com questões pessoais.

A história ganhou grande repercussão, não apenas pela brutalidade do assassinato, mas pelo gesto da mãe que decidiu entregar o próprio filho à justiça. “Doeu em mim, mas era o certo a fazer”, disse Kelly.

Enquanto o caso segue sob investigação, a cidade tenta digerir mais uma tragédia sem sentido. Um crime que destruiu duas famílias: a de uma jovem mãe arrancada da vida e a de um rapaz que perdeu o rumo — ambos vítimas, de formas diferentes, de uma violência que parece não ter fim.

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