Moraes pode decretar prisão de Bolsonaro a qualquer momento após rejeição de recursos no STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) caminha para o desfecho de um dos processos mais explosivos da história recente brasileira: a condenação de Jair Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe de Estado. Em 7 de novembro de 2025, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, votou pela rejeição dos últimos recursos da defesa contra a pena de 27 anos de prisão em regime fechado. Com isso, a sentença pode transitar em julgado em breve, conferindo a Moraes o poder de determinar o cumprimento imediato da pena, convertendo a atual prisão domiciliar em cela comum.
A condenação tem como base o plano “Punhal Verde e Amarelo”, que previa assassinatos de autoridades como o próprio Moraes, o presidente Lula e o vice Alckmin. A Primeira Turma do STF considerou provado que Bolsonaro liderou a conspiração, com participação de militares e civis. O julgamento virtual dos recursos termina em 14 de novembro, mas os votos de Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia já seguem a posição de Moraes, indicando esgotamento dos recursos até dezembro.
Desde 4 de agosto de 2025, Bolsonaro cumpre prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica, medida aplicada após descumprir proibições de uso de redes sociais. Moraes já alertou que novas violações levam à prisão imediata, mas o foco agora é na execução da pena principal. Como relator, ele detém a “caneta” para decidir o momento exato do cumprimento, conforme o artigo 387 do Código de Processo Penal, que permite a execução após trânsito em julgado.
O trânsito em julgado ocorre quando não cabem mais recursos. Com a rejeição dos embargos, o processo entra nessa fase. Moraes pode avaliar fatores como saúde de Bolsonaro (que alega problemas cardíacos) e risco de fuga, mas aliados temem uma decisão rápida, possivelmente logo após 14 de novembro. A cela especial na Papuda (DF) ou em unidade militar é uma possibilidade, mas o regime fechado é obrigatório para penas acima de 8 anos.
A prisão domiciliar atual é uma medida cautelar, não substitui a pena. Ela foi imposta por violações de cautelares, como postagens em redes sociais. Moraes já converteu medidas similares em prisão preventiva em outros casos, e a tendência é de rigor no cumprimento da sentença principal. O STF entende que crimes contra a democracia exigem resposta firme, independentemente de foro privilegiado.
O timing da prisão depende do colegiado, mas Moraes controla o ritmo processual. Não há indícios de que ocorra “amanhã”, mas sim após o esgotamento formal dos recursos. A decisão será técnica, mas inevitavelmente política, dado o simbolismo do caso. Bolsonaro segue em sua residência em Brasília, monitorado, mas o cerco judicial se fecha.
Este desfecho marca to, independentemente de opiniões, marca um precedente: a Justiça brasileira não tolera ameaças ao Estado Democrático de Direito. A caneta de Moraes não é arbitrariedade, mas o exercício regular do poder conferido pela lei. O Brasil assiste, em tempo real, ao fim de um ciclo de impunidade para atos golpistas.



