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Michelle Bolsonaro choca a todos ao dizer como as mulheres devem ser aos maridos

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a ser o centro das atenções neste fim de semana. Durante um evento do PL Mulher, no último sábado (8), em Brasília, ela defendeu o que chamou de “submissão saudável” das esposas em relação aos maridos. O discurso, recheado de referências bíblicas e críticas ao feminismo, movimentou as redes sociais e dividiu opiniões — como quase tudo que envolve o sobrenome Bolsonaro.

“A Bíblia fala da submissão da esposa ao marido, mas é uma submissão saudável”, disse Michelle, diante de uma plateia majoritariamente feminina. “A mulher fazer uma comidinha gostosa para o marido, cuidar da casa, isso não te menospreza como mulher. Isso cria conexões afetivas com os filhos.” A fala, que foi recebida com aplausos por parte do público, rapidamente viralizou, gerando reações que variaram entre elogios entusiasmados e duras críticas.

Durante o evento, Michelle reforçou que se vê como “auxiliadora” e “ajudadora” do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e disse conhecer seu papel na “missão que Deus lhe deu”. Além disso, convocou o que chamou de “povo de bem” a participar mais da política, especialmente mulheres cristãs que, segundo ela, devem lutar contra o aborto e defender “crianças inocentes no ventre das mães”.

“Não podemos ficar do lado do criminoso e esquecer das vítimas. Nós estamos aqui para apoiar, caminhar juntos e não para demonizar a figura masculina”, afirmou Michelle, em tom firme, fazendo referência indireta ao embate ideológico com setores progressistas.

Críticas e reações nas redes

Poucas horas após o evento, a fala da ex-primeira-dama dominou o noticiário e gerou uma enxurrada de comentários nas redes sociais. Parlamentares e figuras ligadas ao movimento feminista acusaram Michelle de reforçar estereótipos ultrapassados e de tentar “vender” uma imagem submissa da mulher brasileira.

A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) comentou no X (antigo Twitter): “Enquanto mulheres lutam por igualdade, Michelle Bolsonaro defende que fiquemos presas a papéis domésticos. Essa é a política deles: o retrocesso disfarçado de fé.”

Por outro lado, apoiadores do PL e de Jair Bolsonaro saíram em defesa de Michelle, afirmando que ela apenas expressou valores tradicionais da família cristã. “Ela fala o que milhões de brasileiras pensam, mas têm medo de dizer”, escreveu uma seguidora.

O tom político por trás das palavras

A fala de Michelle não veio em um momento qualquer. Com o PL Mulher ganhando força nos bastidores e as discussões sobre as eleições de 2026 já começando a esquentar, muitos enxergam nas declarações da ex-primeira-dama um movimento estratégico — uma tentativa de fortalecer sua imagem entre o público conservador e religioso, especialmente entre as mulheres evangélicas, base eleitoral fundamental para o partido.

Nos últimos meses, Michelle tem se mantido ativa em agendas políticas e religiosas, marcando presença em templos, encontros femininos e eventos partidários. Embora negue qualquer pretensão eleitoral, aliados próximos afirmam que ela será peça-chave nas campanhas futuras do PL.

No encerramento do discurso, Michelle fez questão de se distanciar do feminismo moderno e reafirmar o que considera o “diferencial” das mulheres conservadoras: “Nós não somos assim. Somos diferenciadas. Fazemos política com feminilidade.”

Entre aplausos e críticas, o fato é que Michelle Bolsonaro, mais uma vez, conseguiu o que poucos conseguem: colocar seu nome no centro do debate nacional — e reacender uma velha disputa entre fé, política e o papel da mulher na sociedade brasileira.

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