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Janja tenta emplacar coquetel para pedir verba a fundo ambiental e acaba passando vergonha

A noite de quinta-feira (6) em Belém, durante a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP 30), foi marcada por constrangimento para o governo brasileiro. A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, organizou um coquetel especial para chefes de Estado, com o objetivo de promover o Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (TFFF) — uma iniciativa que busca arrecadar R$ 125 bilhões para projetos de preservação ambiental. No entanto, o evento não teve a adesão esperada e acabou esvaziado, transformando-se em um episódio incômodo para o Palácio do Planalto.

Segundo relatos, o coquetel começou duas horas após o horário previsto, e o único chefe de Estado que teria comparecido seria o presidente do Chile, Gabriel Boric. Entretanto, informações da Band apontam que o chileno também não esteve presente. A emissora afirmou ter tido acesso ao local e constatado que nenhum líder internacional compareceu. De acordo com diplomatas ouvidos pela imprensa, muitos convidados alegaram cansaço após uma série de compromissos oficiais durante o dia e preferiram não participar da recepção organizada por Janja.

O principal objetivo do evento era apresentar o Fundo de Florestas Tropicais para Sempre a investidores e líderes globais, buscando apoio financeiro para a iniciativa. A proposta prevê que os recursos aplicados sejam devolvidos com lucro no futuro, estimulando a participação do setor privado na proteção ambiental. Apesar disso, o coquetel reuniu apenas representantes sem poder de investimento direto, como o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanon, e o secretário-geral da ONU, António Guterres.

A ambientação do evento foi cuidadosamente preparada. O salão contava com iluminação em tons de azul e violeta, além de telões exibindo imagens da floresta amazônica, de comunidades ribeirinhas e da cultura paraense. O cardápio incluiu oito tipos diferentes de drinques e pratos à base de peixes típicos da região, buscando exaltar a identidade amazônica e impressionar os convidados estrangeiros. No entanto, a ausência dos principais líderes acabou ofuscando o esforço estético e simbólico da ocasião.

Entre os presentes, estavam nomes ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT) e ao governo federal, como a ex-presidente Dilma Rousseff, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o chefe do GSI, Marcos Antônio Amaro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também compareceu, mas, diante do esvaziamento, ele e Janja deixaram o local após cerca de meia hora.

A COP 30, sediada em Belém, será oficialmente aberta na próxima segunda-feira (10). Até lá, ocorre a chamada “pré-COP”, que reúne autoridades e especialistas em debates sobre políticas ambientais e sustentabilidade. O episódio do coquetel, no entanto, serviu como um alerta para o governo brasileiro: a busca por financiamento internacional para o TFFF exigirá mais do que boas intenções e belas imagens — será necessário convencer grandes investidores e governos a apostar na preservação das florestas tropicais.

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