Governadores mandam duro recado à Lula em evento da Confederação Israelita

Na noite de sábado (9/11), um encontro de peso reuniu parte dos principais nomes da direita brasileira em São Paulo, na tradicional Hebraica, durante um evento promovido pela Confederação Israelita do Brasil (Conib). O clima, como era de se esperar, misturou política, segurança pública e geopolítica internacional.
Entre os presentes estavam os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos – SP), Cláudio Castro (PL – RJ), Ronaldo Caiado (União – GO) e Eduardo Leite (PSD – RS), além do prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB). Todos, à sua maneira, aproveitaram o palanque para tecer críticas ao governo Lula (PT) e elogiar a megaoperação policial no Rio de Janeiro, que resultou na morte de 121 pessoas — uma ação que ainda divide opiniões no país.
Aplausos e discursos inflamados
O governador do Rio, Cláudio Castro, foi o mais aplaudido da noite. Ovacionado pelo público, ele defendeu com veemência a operação que, segundo ele, marcou “o início de um movimento”. Em tom de desabafo, afirmou:
“O que aconteceu no Rio não foi apenas uma operação. Foi o início de um movimento. Um movimento onde os cidadãos do estado, e do Brasil todo, não aguentam mais.”
Castro recebeu o apoio dos colegas e virou símbolo da resposta “firme” da direita à escalada da violência no país. Ronaldo Caiado, por sua vez, chamou a ação de “um sucesso sem precedentes”. “Nenhum civil foi atingido, o que é algo raríssimo em operações desse porte”, destacou o governador goiano, que também aproveitou os holofotes para atacar o governo federal. “O governo Lula é conivente com o narcotráfico”, disparou.
Tensão com a comunidade judaica
O evento ocorreu em um momento de forte tensão entre o presidente Lula e parte da comunidade judaica brasileira. O petista voltou a ser alvo de críticas depois de ter acusado Israel de cometer genocídio em Gaza, durante o conflito com o Hamas — declaração que gerou repercussões internacionais.
Em contrapartida, a direita brasileira, assim como diversas lideranças conservadoras no exterior, mantém apoio incondicional a Israel, transformando o tema em uma de suas bandeiras ideológicas.
O governador Tarcísio de Freitas reforçou esse posicionamento durante seu discurso. Ele criticou duramente a saída do Brasil da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto, da qual o país fazia parte desde 2021, quando o então presidente Jair Bolsonaro havia promovido a adesão. “Não é apenas um erro diplomático, é um erro moral. O Brasil sempre teve lado na história — e esse lado é o da verdade e da liberdade”, afirmou.
Bastidores e segurança pública
Mais cedo, antes do evento, Castro se reuniu com Tarcísio para discutir temas relacionados à segurança pública. Segundo apuração da coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, os dois governadores defenderam maior cooperação entre Rio e São Paulo no combate ao crime organizado, especialmente nas fronteiras entre os estados.
Nos bastidores, aliados veem a aproximação como um ensaio de unidade entre os governadores da direita, que buscam fortalecer o discurso da lei e da ordem diante do avanço da criminalidade.
Ao final do encontro, o tom era de alinhamento político. Mesmo com diferenças pontuais, os discursos convergiram em torno de uma ideia comum: fazer frente ao governo Lula e reforçar a narrativa de que a direita, nas palavras de um dos presentes, “ainda é quem fala a língua do cidadão comum”.



